Por André Ítalo Rocha
A cidade anunciou que vai investir R$ 1 bilhão em infraestrutura urbana na área com o objetivo de atrair investimentos do mercado imobiliário, tanto para projetos residenciais quanto para escritórios.
Os recursos fazem parte de um montante de R$ 7 bi que a Prefeitura captou nos últimos anos com o Banco Mundial e o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), criado em 2024 pelo governo federal depois das enchentes no Rio Grande do Sul.
Assim como ocorreu em outras grandes cidades, a região industrial de Porto Alegre perdeu vigor ao longo das últimas décadas com a migração das fábricas para áreas mais afastadas, e passou a ter ares de lugar abandonado.
Mas como o Quarto Distrito tem uma localização privilegiada – está entre o Rio Guaíba, perto do porto, e o bairro Moinhos de Vento, um dos mais nobres da cidade - a gestão do prefeito Sebastião Melo (MDB) entende que há um potencial para uma revitalização similar ao que ocorreu em Barcelona, com o 22@, e em Miami, com o Design District.
Na avaliação da Prefeitura, o Quarto Distrito tem vocação para se consolidar como um bairro de uso misto.
Do lado comercial, abrigaria startups e negócios de economia criativa e seria também uma polo gastronômico e de bares. Já do lado residencial, receberia um público mais jovem com a oferta de apartamentos de tíquetes de médio padrão.
A estratégia se complementa ao que a Prefeitura está preparando para o seu novo Plano Diretor, que busca tornar Porto Alegre uma cidade com mais qualidade de vida para atrair talentos profissionais de outros lugares, aumentando a população da cidade, que tem caído nos últimos anos, e impulsionando a arrecadação do município.
Um dos símbolos desse esforço de resgate da cidade é o Cais Embarcadero, um complexo gastronômico inaugurado em 2021 em um trecho revitalizado do antigo Cais Mauá e que hoje sedia o South Summit, um dos maiores eventos de startups do País.
“Queremos tornar o Quarto Distrito mais atrativo do ponto de vista urbano, de caminhabilidade, e também do ponto de vista econômico, para recepcionar quem queira se instalar em Porto Alegre, consagrando o território como um ambiente de inovação,” Germano Bremm, o secretário de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, disse ao Metro Quadrado.
“O Quarto Distrito está colado ao aeroporto, que é a entrada da cidade para o Brasil, e tem muita disponibilidade de terreno para investir, mas tem muitos desafios urbanos porque é uma área industrial que perdeu vocação para a indústria e foi ficando ociosa.”
Antes da pandemia, o Quarto Distrito já vinha recebendo alguns investimentos da iniciativa privada, mas de maneira pontual, como a instalação, no lugar de uma antiga fábrica, da sede do Instituto Caldeira - um hub de inovação apoiado por grandes empresas gaúchas e que tem servido como um berço de startups locais.
Mas o processo de resgate da região foi interrompido pela crise da Covid-19 e depois pelas enchentes, que mudaram as prioridades do poder público e dos empresários.
Curiosamente, as enchentes acabaram servindo de argumento para a Prefeitura conseguir recursos com terceiros para investir na reconstrução da cidade, atraindo o capital do Banco Mundial e do Firece.
Além disso, na semana passada, a Prefeitura assinou um acordo de cooperação com o Instituto Caldeira para ajudar a impulsionar a área.
“Nós vamos delegar a eles algumas competências para ‘vender’ o Quarto Distrito para o mundo, fazendo o marketing do território e atraindo talentos, enquanto nós fazemos o papel do poder público de tocar as obras de melhorias urbanas,” disse o secretário.
Já com o dinheiro em mãos, a Prefeitura pretende criar corredores verdes, aumentando a arborização; criar conexões com bairros desenvolvidos, abrindo cruzamentos; tocar obras para melhorar a drenagem da cidade, uma prioridade que ganhou força após as enchentes; e criar um parque na área próxima ao porto.
Todas essas ações já estão previstas em uma lei aprovada em 2022, uma espécie de mini plano diretor para a região, mas que ainda não foram executadas porque a Prefeitura ainda não tinha os recursos.
Uma das principais medidas da lei foi aumentar o potencial construtivo de um trecho do Quarto Distrito que a Prefeitura estabeleceu como prioridade para desenvolver, o Distrito da Inovação, que soma 251 hectares. O índice máximo saltou de 3x para 7x.