Por Luana Franzão
A Rooftop, startup brasileira, tenta criar uma categoria no mercado imobiliário com aquilo que chama de "imóveis sob pressão" -isto é, propriedades com algum tipo de restrição, como dívidas, disputas judiciais ou dificuldade de liquidez. A companhia pretende transformar esses ativos em capital para os proprietários de forma menos custosa burocraticamente e emocionalmente.
A tese parte de um diagnóstico de mercado. Segundo Daniel Gava, fundador da companhia, cerca de metade da população economicamente ativa no país tem algum tipo de restrição que dificulta o acesso ao sistema financeiro tradicional.
O cliente que usa o serviço da Rooftop vende seu imóvel por 60% do preço avaliado para um fundo imobiliário controlado pela empresa. Ele, então, passa a pagar um aluguel para a companhia.
Depois de um prazo pré-determinado, o ex-proprietário tem a opção de recomprar o imóvel por 80% do valor previamente acordado. Caso ele não queira (ou não consiga) fazer a aquisição, a startup vai ao mercado e vende o ativo, capturando o que ficar acima do valor combinado com o cliente.
O modelo ganha tração em um cenário de juros elevados, que pressiona famílias e empresas, mas também impõe limites à operação.
"Juro alto ajuda a gerar demanda, mas, no nosso caso, também é o principal agressor do negócio. O cenário encarece demais o capital e dificulta fechar as operações", afirma.
Na opinião do empresário, o custo do capital no Brasil é o principal agressor dos empreendimentos.
A Rooftop atende aproximadamente mil clientes por mês, com tíquete médio na casa de R$ 1,3 milhão, e aposta na expansão da rede comercial para sustentar o crescimento neste ano. A companhia projeta R$ 210 milhões alocados até o fim de 2026 -estimativa que representa um incremento de cerca de 200% em relação aos R$ 70 milhões registrados no ano anterior. O número de operações teve aceleração de 140% entre 2024 e 2025. Para 2026, a expectativa é ampliar as operações em 325%, com tíquete médio de R$ 1,084 milhão.
Gava espera que parte do crescimento esteja associada à ampliação das estruturas de investimento usadas pela empresa, como o fundo HOMS11, listado na B3, e instrumentos de dívidas captados no mercado. A Vórtx é responsável pela administração de serviços fiduciários dos veículos estruturados e a Galápagos Capital atua na estruturação e distribuição das ofertas junto a investidores.