Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial
(IGMI-R)
O IGMI-R subiu 1,52% em dezembro, ganhando ritmo em relação aos 1,15% registrados em novembro. Com isso, a alta acumulada em 12 meses avançou de 17,14% para 18,64%, sinalizando que a valorização dos imóveis residenciais segue crescente.
A leitura regional do IGMI-R mostra que o movimento de aceleração foi amplo em dezembro: sete das dez capitais pesquisadas registraram variações mais intensas em relação a novembro. As exceções ficaram por conta de Recife, que desacelerou de 2,19% para 1,89%, Porto Alegre, que passou de 1,49% para 0,19%, e Goiânia, cuja variação recuou de 1,13% para 0,84%.
No Sudeste, o comportamento foi homogêneo, com aceleração em todas as capitais. No Rio de Janeiro, a taxa subiu de 0,29% para 0,41%; em Belo Horizonte, avançou de 0,56% para 0,64%; e em São Paulo, ganhou força ao passar de 1,11% para 1,61%, reforçando o dinamismo do mercado imobiliário da região.
No Nordeste, a pressão também se intensificou, com aceleração expressiva em Fortaleza, de 1,01% para 2,10%, e em Salvador, de 2,00% para 2,74%, indicando um fim de ano mais aquecido nesses mercados.
No Sul, o comportamento foi mais irregular. Enquanto Porto Alegre perdeu fôlego, Curitiba seguiu na contramão e manteve o ritmo de valorização, com a taxa avançando de 2,13% para 2,20%, em sintonia com o desempenho médio do IGMI-R.
No Centro-Oeste, o destaque ficou por conta de Brasília com variação de 0,89% para 2,97%, indicando uma mudança mais intensa e repentina na dinâmica de preços do mercado imobiliário local.
Até dezembro de 2025, o IGMI-R acumulou alta de 18,64%, a maior variação para esse intervalo desde 2016. O resultado retrata um mercado imobiliário residencial claramente aquecido e consolida a trajetória de alta observada ao longo dos últimos anos.
Entre as capitais, Brasília foi o principal destaque. O acumulado saltou de 5,77% em 2024 para expressivos 27,11% em 2025, atingindo o maior patamar de toda a série histórica. Na outra ponta, Goiânia apresentou a menor variação do período, com alta de 11,83%, em ritmo inferior ao observado no ano anterior, quando havia registrado 14,91%.
No conjunto das cidades acompanhadas, o comportamento de janeiro a dezembro de 2025 reforça o dinamismo dos preços residenciais. Em oito das dez capitais analisadas, as taxas acumuladas superaram as registradas no mesmo período de 2024, sinalizando uma valorização mais disseminada e persistente do mercado imobiliário urbano.
Na leitura em 12 meses, o IGMI-R segue acelerando em ritmo bem superior ao do INCC, ampliando o descolamento entre a valorização dos imóveis residenciais, que alcança 18,64%, e os custos de construção, que avançam 5,94%. Enquanto o INCC permanece em um patamar mais moderado e estável — refletindo a evolução mais contida dos preços de insumos e da mão de obra —, o IGMI-R evidencia um mercado imobiliário novamente aquecido, apoiado em uma demanda consistente.
Esse descompasso indica que a alta recente dos preços dos imóveis vai além do custo da obra. Ela reflete, sobretudo, fatores estruturais de oferta e demanda, como estoques ainda reduzidos, melhora gradual da renda e a retomada da confiança de famílias e investidores no mercado imobiliário.
A variação em 12 meses revela movimentos distintos e, ao mesmo tempo, complementares entre o IGMI-R e o IVAR. O IGMI-R, que retrata a valorização dos imóveis residenciais no mercado de compra e venda, segue em trajetória de aceleração e alcançou 18,64% em dezembro de 2025, indicando ganhos patrimoniais expressivos e um mercado ainda aquecido. Já o IVAR, que acompanha a dinâmica dos contratos de locação, apresenta reajustes mais moderados, com alta de 8,85% em 12 meses, sugerindo aumentos de aluguel mais contidos e, em geral, mais compatíveis com a renda das famílias.
Esse descolamento reforça a leitura de um mercado imobiliário em fase de maturação. Enquanto os preços dos ativos avançam em ritmo mais intenso, refletindo restrições de oferta e demanda firme nas principais capitais, os aluguéis evoluem de forma mais gradual, acomodando os limites impostos pela capacidade de pagamento dos locatários.
Em dezembro de 2025, o IGMI-R acumulou alta de 18,64% em 12 meses, muito acima da inflação ao consumidor medida pelo IPCA, que ficou em 4,26% no mesmo período. Esse descolamento deixa claro que os preços dos imóveis seguem uma dinâmica própria, pouco alinhada à variação da cesta de consumo das famílias.
A persistência desse diferencial reflete, de um lado, a rigidez da oferta e os efeitos ainda presentes do encarecimento de insumos da construção e, de outro, uma demanda que segue firme em segmentos específicos e nas principais regiões metropolitanas. Nesse ambiente, o imóvel continua se afirmando como ativo de preservação de valor em períodos de incerteza, mantendo seu apelo tanto para famílias quanto para investidores.
Na leitura em 12 meses, INCC e IVAR nem sempre evoluem na mesma direção. O INCC reflete os custos da construção, ao captar a variação de materiais, equipamentos e mão de obra, enquanto o IVAR acompanha os preços de locação, mais diretamente influenciados pela renda das famílias e pelo equilíbrio entre oferta e demanda no mercado imobiliário.
Em dezembro de 2025, essa diferença fica clara: o INCC acumula alta de 5,94%, enquanto o IVAR avança 8,85%. Isso mostra que, mesmo em um cenário de desaceleração dos custos de obra, o mercado de aluguel pode seguir registrando reajustes positivos, um movimento compatível com a oferta ainda restrita em algumas regiões, a demanda persistente e o processo de realinhamento gradual dos contratos após o pico inflacionário observado em 2022.











