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24/07/2026

O Centro entre o recomeço e o abandono: de um lado novos investimentos, do outro imóveis históricos degradados – O Globo

Revitalização avança em parte da região, enquanto edifícios emblemáticos seguem abandonados e sem perspectiva de recuperação

 

Por João Vitor Costa, Joziane Barboza* e Madson Gama

A paisagem da região central do Rio vive um dilema. De um lado, prédios são erguidos ou reformados, fruto de investimentos da prefeitura e do setor imobiliário na recuperação da área, por meio de programas como o Reviver Centro e o Reviver Cultural. Transformados em residenciais, o Edifício A Noite, na Praça Mauá, e a antiga sede da Caixa Econômica Federal, na Avenida Rio Branco, são símbolos desse processo. Além dos leilões públicos, complexos históricos têm sido alvo de agentes privados. Em março, um conjunto de sobrados na esquina das ruas Miguel Couto e Teófilo Otoni foi vendido a investidores de São Paulo após passar por reformas.

De outro, o retrato do abandono patrimonial predomina, com imóveis de grande porte, muitos deles históricos, sem uso, degradados ou à espera de uma solução definitiva. O cenário demonstra o desafio que persiste para a efetiva revitalização da área.

Palacete Imperial: berço da república está invadido

Testemunha de marcos importantes na história da cidade e do país, como a Proclamação da República, em 1889, o Palacete Imperial está interditado pela Defesa Civil há 18 anos por risco de desabamento. Entretanto, há quase dez o prédio está ocupado por pessoas em situação de rua.

Atualmente, há cerca de 40 pessoas, inclusive mulheres grávidas, morando no casarão, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas está sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2012.

Projeto para o futuro

Construído em 1862 na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, no Centro, o palacete é considerado patrimônio histórico e está em uma das regiões mais emblemáticas da cidade. O imóvel, em frente ao Campo de Santana, fez parte do acervo de bens da União até ser transferido para a UFRJ, em 1978.

A fachada, que chamava atenção pela imponência, foi ficando irreconhecível com o tempo. A concertina de proteção pouco esconde o visual de abandono. Parte do telhado já desabou dentro do próprio palacete, que acumula uma grande quantidade de entulho. No segundo andar, as janelas foram fechadas com tijolos; as do terceiro estão sem esquadrias e vidros - segundo moradores e comerciantes da região, material foi furtado ao longo dos anos. Além disso, o mato nasce no concreto.

Por causa da umidade e do desgaste natural, a marquise está se deteriorando e os tapumes que cercam o térreo estão danificados, o que facilita o acesso ao interior do casarão. Mas não é por eles que os invasores acessam o imóvel.

- Agora, tem cerca de 40 pessoas morando aí dentro. Entram e saem normalmente - conta um comerciante. - Eles usam uma porta de madeira ali na frente.

O Iphan é responsável pela guarda, conservação, preservação e utilização do prédio até 2032. O objetivo era instalar ali o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), mas o projeto nunca foi executado - o centro funciona na sede do instituto, em Brasília.

Embora queira devolver o imóvel, a autarquia continua responsável pelo prédio, tendo, inclusive, realizado algumas obras emergenciais.

Diante das tentativas fracassadas de restauração e utilização do prédio, que já foi sede da Escola de Comunicação - transferida para a Praia Vermelha, na Urca - e do Instituto de Eletrotécnica, que se fixou na Cidade Universitária na Ilha do Fundão -, a UFRJ pretende agora transformar o imóvel no “Observatório de História, Memória e Arte do Rio de Janeiro”, com recursos da Lei Rouanet.

O projeto prevê um complexo cultural e acadêmico dedicado à pesquisa, ao ensino e à extensão nas áreas de história, patrimônio, arte, cultura e inovação, abrigando laboratórios e núcleos multidisciplinares, tais como o Núcleo de Governança e Cultura em Cidades Inteligentes (NUGEC-CI) e o Núcleo de Arte, Ciência e Cultura, entre outros. O orçamento estimado é de R$ 17 milhões.

 

 

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FONTE: O GLOBO