Por Wesley Gonsalves
Marc Norman - o chefe do Schack Institute, o centro de real estate da escola de estudos profissionais da NYU - disse ao Metro Quadrado que um dos méritos do Minha Casa Minha Vida é dar às pessoas a oportunidade de comprar um imóvel, reduzindo a desigualdade de patrimônio.
Já nos EUA as políticas mais comuns de habitação oferecem subsídios às famílias para pagar o aluguel, como as de Nova York, o rent control e o rent stabilization, que congelam e limitam o aumento do valor da locação, respectivamente.
“Todo mundo tem uma crise habitacional. Nós temos um jeito de lidar com isso, o Brasil tem outro. Mas nos EUA, nunca tentamos nada como o Minha Casa Minha Vida,” disse o professor.
“No Brasil, as pessoas podem passar o imóvel adquirido para a próxima geração. Temos muito a aprender com o Minha Casa Minha Vida nesse sentido.”
Marc está de passagem pelo Brasil - com São Paulo e Rio no roteiro - para uma visita técnica com um grupo de 24 estudantes do mestrado em real estate da instituição, numa parceria entre a NYU e o Instituto Cidades Responsivas, ligado ao grupo OSPA, de desenvolvimento imobiliário.
Há quatro anos, os alunos da NYU realizam visitas a países como Brasil, África do Sul, Japão e Vietnã.
Durante a passagem por São Paulo, o grupo visitou alguns dos principais players do mercado imobiliário da Faria Lima, como Kinea, JHSF, Idea!Zarvos e GTIS Partners, além de prédios icônicos da cidade e comunidades, como Paraisópolis.
“Nós queremos oferecer uma experiência mais realista dos países que visitamos, não apenas mostrar o centro financeiro, mas como as pessoas vivem e interagem com as cidades,” disse o professor.
Segundo ele, o objetivo é aprender novas formas de pensar as questões urbanísticas, incluindo alternativas para enfrentar a crise habitacional, e fomentar o intercâmbio de conhecimento com os players locais.
Além do conteúdo acadêmico, Marc diz que as visitas também funcionam como oportunidade de networking e prospecção de negócios para os alunos - a maioria deles gestores de ativos imobiliários e desenvolvedores.
Na avaliação do professor, a experiência ajuda os alunos a conhecer outras formas de lidar com problemas comuns aos dois países, tanto no setor privado quanto na administração pública.
“Nossos países são muito parecidos. Para mim, o Brasil é como um espelho distorcido dos EUA, com muitos pontos em comum: a escravidão, a desigualdade de renda, mas também a abundância de recursos naturais e as grandes cidades,” disse.
Enquanto os EUA podem aprender com os programas brasileiros, o mercado local também deveria perseguir qualidades americanas, como a transparência de informações sobre transações.
“Esta semana, meus alunos aprenderam que o acesso a informações é algo muito difícil por aqui. Nos EUA, é possível acessar todos os dados de uma propriedade a qualquer momento: o preço, quem comprou e quem são os investidores por trás do negócio.”
O professor disse que, apesar das visitas a outros emergentes, o Brasil segue como o destino “mais disputado” pelos alunos, e que ele gostaria de poder fazer uma viagem mais longa para incluir cidades como Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre no roteiro.
Neste ano, 70 estudantes do mestrado em real estate da NYU se candidataram à viagem, que selecionou 24 nomes. Os demais destinos não chegaram a preencher todas as vagas.
“No verão, viajaremos ao Vietnã, mas ainda não consegui fechar a lista de estudantes. Isso mostra o apetite dos nossos alunos pelo Brasil. O Brasil é o momento agora,” disse Marc.