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19/03/2026

Falta de imóveis amplos em Curitiba expõe desequilíbrio entre oferta e demanda – Papo Imobiliário

O mercado imobiliário de Curitiba enfrenta um descompasso após anos de predominância de apartamentos compactos. A forte concentração de lançamentos com metragens reduzidas, especialmente nas regiões centrais, contrasta com a demanda crescente por unidades mais amplas.

Levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que, entre 2015 e 2024, as vendas de imóveis compactos e supercompactos cresceram 210% na capital paranaense. Em paralelo, a oferta de apartamentos maiores, sobretudo de dois e três dormitórios com plantas mais espaçosas, permanece limitada.

A lacuna foi identificada por agentes do setor e confirmada por estudo da Datastore, em um contexto de mudança no comportamento do consumidor. A busca atual se concentra em imóveis que comportem múltiplas funções e ofereçam maior qualidade de vida.

Dados do Radar Imobiliário do Grupo OLX, analisados pela DataZAP, reforçam esse movimento: a preferência por imóveis de dois dormitórios em Curitiba subiu de 37% em 2023 para 50% em 2025. Ainda assim, a maior parte das unidades com cerca de 100 m² foi construída até a década de 1990, evidenciando a baixa renovação desse tipo de produto.

Mesmo com a escassez, surgem iniciativas pontuais voltadas a esse nicho. “O cenário representa uma inflexão importante na forma de pensar o desenvolvimento imobiliário da cidade. Ao resgatar tipologias mais generosas e combiná-las com soluções contemporâneas, o empreendimento materializa a nossa visão de projetos que fazem sentido hoje, mas que também permanecem relevantes ao longo do tempo”, afirma.

As novas propostas incluem unidades com cerca de 94 m² e 125 m², com maior flexibilidade de planta. “O IZAR nasce da percepção de que as famílias estão menores, mas não querem morar em espaços comprimidos. Nos últimos anos, vimos uma redução contínua das áreas privativas como estratégia de mercado. Aqui, fazemos o movimento oposto: resgatamos um padrão mais confortável, aliado a soluções contemporâneas de tecnologia e eficiência”, explica.

Mudança no perfil do produto

Além da metragem, os projetos mais recentes incorporam soluções voltadas a conforto e eficiência, como automação, melhorias acústicas e sistemas de gestão de energia e água. O movimento sinaliza uma tentativa de reposicionamento do produto imobiliário diante de um consumidor mais exigente.

No campo arquitetônico, também há maior ênfase na integração com o entorno urbano e na diferenciação estética. “Buscamos criar um edifício que ofereça uma forma de viver mais leve e integrada, estimulando contemplação e harmonia tanto nos espaços internos quanto na relação com o entorno urbano”, explica.

“A estrutura deixa de ser escondida e passa a ser protagonista. Isso cria a sensação de um edifício suspenso, leve, que se relaciona com a cidade”, completa.

Já no posicionamento de mercado, há uma mudança de abordagem. “O nome IZAR é um verbo. Ele fala de ação, de transformação, do gesto de fazer parte da cidade”, afirma. “Não falamos de luxo, falamos de forma de viver. É uma comunicação que convida, não que grita.”

Impactos para o mercado

A baixa oferta de imóveis amplos indica uma oportunidade para incorporadoras ajustarem seus portfólios diante da demanda reprimida. Para corretores, o cenário exige atuação mais estratégica, voltada a perfis familiares e compradores em busca de maior espaço.

Investidores podem encontrar potencial de valorização em produtos com menor oferta relativa. Já para os compradores, a tendência é de maior concorrência por esse tipo de imóvel, o que pode pressionar preços no segmento.

FONTE: PAPO IMOBILIáRIO