Por Circe Bonatelli
A Espaço Smart, fabricante e varejista de materiais de construção, está desbravando o mercado de construção a seco, que dispensa argamassa para colocar os empreendimentos de pé. Este é um nicho que vem crescendo junto da onda da industrialização dos canteiros de obras.
O grupo paranaense já expandiu o faturamento de R$ 516 milhões em 2024 para R$ 720 milhões em 2025. A previsão é passar de R$ 1 bilhão em 2026 e, quem sabe, romper os R$ 2 bilhões em 2028 ou 2029. Para crescer o bolo, vai investir de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões por ano com foco em aumentar sua capacidade de produção e vendas.
O carro-chefe da Espaço Smart é a produção de sistemas metálicos para construtoras que fazem casas, hotéis, galpões e outras edificações comerciais. A companhia fabrica elementos em steel frame - perfis de aço galvanizado utilizados para levantar paredes e telhados, cujo fechamento é feito com placas e telhas.
Companhia tem rede de lojas e centros de distribuição
No varejo, a Espaço Smart tem uma rede de lojas que servem para exibir suas peças de steel frame, além de revender produtos de parceiros comerciais que também são usados na construção a seco, como drywall, forros modulares, pisos vinílicos, revestimentos, telhas e esquadrias. No caso drywall, a empresa já é a maior distribuidora do País.
A Espaço Smart tem sede em Ponta Grossa (PR), onde também fica sua fábrica de sistemas metálicos e um centro de distribuição (CD). O grupo tem outros dois CDs em Itajaí (SC) e São Paulo (SP), além de 48 lojas em 22 Estados. Neste ano, serão investidos R$ 30 milhões para aumentar a capacidade de produção, abertura de mais nove lojas e dois CDs em Campinas (SP) e Feira de Santana (BA).
O presidente da companhia, Rubens Campos, diz que o crescimento segue uma mudança na lógica do setor, que cada vez mais busca ganho de produtividade e menor dependência da mão de obra. “A industrialização da construção deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade”, afirma.
Sistema já é considerado realidade no País
Embora menos difundido que os sistemas de alvenaria tradicional, a construção a seco já é considerada uma realidade no Brasil e que atrai cada vez mais adeptos, diz o diretor e sócio da empresa, Fernando Scheffer. “Cada loja fatura R$ 1 milhão a partir do terceiro mês da inauguração. Estamos com um incremento orgânico. Esse mercado já é uma realidade”.
Segundo Scheffer, o segredo do negócio foi ir além da fábrica de estruturas metálicas e colocar de pé uma rede de lojas especializadas para fomentar o mercado local. Para 2027 em diante, a ideia é inaugurar entre 10 e 12 lojas por ano, além de comprar maquinário para sua fábrica e novos centros de distribuição, com investimentos na ordem de R$ 50 milhões anuais. Com isso, espera turbinar o faturamento nos próximos anos.
Os recursos para os investimentos virão da própria geração de caixa da Espaço Smart combinada com financiamento bancário. Atrair sócios é algo fora dos planos. A empresa pertence à família Scheffer, que tem pai e filhos na sociedade.