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08/04/2026

‘Quer pagar quanto?’ O saldão das torres corporativas nos EUA – Metro Quadrado

A retomada desigual do mercado de escritórios nos EUA no pós-pandemia está provocando um saldão de vendas de torres corporativas, com descontos que chegam a 90% dos valores listados em anos anteriores.

Por Pedro Borg

O principal motivo para o movimento é a frustração dos proprietários com a recuperação do segmento em ritmo mais lento do que se imaginava, segundo o The Wall Street Journal.

Muitos seguraram os ativos esperando que o mercado voltasse aos patamares pré-2020, mas isso acabou ficando restrito a grandes hubs de empresas - como Nova York e San Francisco - e a prédios novos.

Além disso, com a taxa de juros insistentemente alta para os padrões do país, manter esses ativos começou a ser mais custoso do que vendê-los a uma fração de seus valores originais.

Apesar dos EUA ainda ter alguns bolsões de bom desempenho no mercado imobiliário - como NYC, Miami e San Francisco -, o setor ainda está longe do auge.

Segundo dados da consultoria Green Street divulgado pelo WSJ, mesmo imóveis de maior qualidade registraram, em média, uma queda de cerca de 35% em relação ao pico de valor.

Em Chicago, um prédio de 45.057 m² estimado em US$ 68,1 milhões há 10 anos foi vendido por US$ 4 milhões em 2026.

Já em Denver, o conjunto de duas torres da Denver Energy Center avaliado em US$ 176 milhões em 2013 foi comprado por US$ 5,3 milhões neste ano.

Nem mesmo o governo americano passou ileso.

A General Services Administration vendeu no mês passado um edifício de 87.330 m² em Washington para uma empresa especializada na conversão de prédios comerciais para residenciais por US$ 24 milhões, uma fração do valor anterior.

Em comunicado para anunciar a transação, o órgão afirmou que a venda vai evitar que o governo gaste mais de US$ 200 milhões em reformas necessárias para manter o local ativo.

Alguns compradores estão aproveitando o saldão para fazer conversões dos prédios comerciais em residenciais, porque os descontos relevantes acabam justificando grandes reformas estruturais nos imóveis, como mudança das plantas dos andares ou a criação de mais estacionamentos ou halls.

No início de 2026, 90 mil apartamentos nos EUA estavam passando por processo de conversão, uma alta de 28% em relação ao ano anterior, segundo a empresa de dados RentCafe. Nova York lidera a lista, mas cidades como Boston, Chicago e Washington também estão impulsionando esses projetos por meio de incentivos fiscais e outras políticas de governo.

A tendência de comprar imóveis comerciais desvalorizados nos EUA vem desde o ano passado, quando investidores adquiriram 204 torres de escritórios abaixo do valor de mercado em leilões decorrentes de processos de falência ou alienados por meio de execuções hipotecárias, ante 133 transações em 2024, segundo a empresa de dados MSCI.

As transações do ano passado somaram US$ 5,2 bilhões.

Nos dois primeiros meses deste ano, o volume somou US$ 808 milhões, alta de 24,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

FONTE: METRO QUADRADO