As vendas de imóveis residenciais usados na Baixa- da Santista cresceram 47,92% em agosto, na comparação com O mês anterior, conforme pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP). Segundo a entidade, a alta refletiu uma retomada significativa das negociações de compra. No acumulado do ano, o crescimento é de 20,68%. A pesquisa contemplou as nove cidades da região, refletindo, entre diversas tendências, a procura por imóveis de dois quartos.
Segundo O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, os números superaram as expectativas do mercado. "Foi um resultado muito bom, principalmente porque nos tivemos um movimento diferente no Estado (retração de 1,27% nas vendas em agosto), mas Santos apresentou uma boa desenvoltura", disse. Conforme Viana, agosto costuma ser um mês muito bom no mercado imobiliário na Baixada Santista. "Isso acontece logo depois de julho, quando o pessoal vem para as férias, faz a prospecção, observa os negócios e depois volta para fazer a transação em um momento mais tranquilo, com a cidade mais vazia", analisa ele.
Viana prevê também que o crescimento deve continuar nos próximos meses. "Deve ser um movi- mento crescente até o fim Apartamentos de dois dormitórios lideram as negociações de usados do ano, porque teremos a definição da eleição majoritária, que acaba trazendo uma dificuldade muito grande, principalmente pela questão da política econômica, que se define com 0 candidato vitorioso. Essa definição faz com que o mercado possa trabalhar com maior segurança e tranquilidade".
Segundo ele, outro fato muito importante é a tendência de queda da taxa Selic, que causa uma projeção otimista no merca- do. "O programa Minha Casa, Minha Vida, que vem funcionando muito bem, é um outro ponto de apoio que nos permite dizer que nós vamos ter uma situação muito boa até o final do ano", acredita Viana.
Segundo o levantamento, considerando toda a região, as casas representaram 52% das vendas em agosto, enquanto os apartamentos corresponderam a 48%. De acordo com a entidade, esse equilíbrio de- monstra que a procura es- teve distribuída entre diferentes perfis de imóveis, abrangendo tanto consumidores interessados em maior espaço e privacidade quanto compradores que priorizam praticidade, localização e facilidade de manutenção.
Entre as casas vendidas, houve forte predominância dos imóveis de dois dormitórios, que responderam por 73,3% das negociações. As unidades de três quartos representaram 20%, enquanto os imóveis de até um dormitório e aqueles com quatro ou mais participaram, cada grupo, com 3,3%.
A distribuição por área útil confirma a preferência por casas de tamanho intermediário. Os imóveis entre 51 m2 e 100 m2 concentraram 60% das vendas. As casas entre 101 m2 e 200 m2 responderam por 23,3%, enquanto as com mais de 201 m2 ficaram com 10%. Os imóveis de até 50 m2 tiveram participação de 6,7%. Esse perfil indica que 0 comprador de casas buscou, principalmente, unidades funcionais, com espaço suficiente para famílias pequenas e medias, mas sem alcançar necessariamente padrões de metragem muito elevados.
No segmento de apartamentos, os imóveis de dois dormitórios também lideraram, com 48,5% das vendas. As unidades de um quarto corresponderam a 39,4%, enquanto os de três representaram 12,1%. Não foram registradas vendas de unidades com quatro ou mais dormitórios.
Na área útil, os apartamentos entre 51 m2 e 100 m2 foram maioria, com 55% das negociações. Os de até 50 m2 participaram com 36%, e as unidades entre 101 m2 e 200 m2 representaram 9%. Não houve registro de vendas de unidades com mais de 201 m2.
Nas vendas de usados registradas agosto na Baixada Santista, a distribuição dos valores mostra que negociações se concentram principalmente em imóveis residenciais de preço intermediário. A faixa entre mil e 400 mil foi responsável por 7% das vendas, constituindo o principal intervalo de preço do mês. Na sequência, apareceram os imóveis entre 201 mil e R$300 mil, com 28,6% das negociações. As unidades acima de 501 mil representaram 20,6%, enquanto os imóveis entre R$ mil e R$500mil corresponderam a 12,7%.
As propriedades de até R$200 mil participaram com 6,3%das vendas.
A participação de imóveis acima de R$501 mil também permaneceu relevante, indicando a existência de procura por unidades localizadas em áreas valorizadas, próximas à orla, com melhor ou com diferenciadas. Por outro lado, a baixa participação dos imóveis de até R$ mil revela a limitação da oferta ou maior dificuldade de encontrar unidades nessa faixa de preço nos municípios pesquisados.