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20/10/2026

Para Geração Z, imóvel do Minha Casa, Minha Vida custa 6,5 anos de renda (Monitor Mercantil)

Com menos recursos para entrada, jovens enfrentam distância entre renda e preço do imóvel até 50% maior que outras gerações.

Intitulado “Como se busca imóvel novo: gerações, padrões e regiões”, estudo da Morada.ai sobre o comportamento de quem busca imóveis novos mostra que, no Minha Casa, Minha Vida, o preço do imóvel equivale a 6,5 anos de renda familiar para a Geração Z (nascidos entre 1997 a 2010), enquanto nas demais gerações essa relação varia de 4,3 a 4,7 anos. A diferença evidencia os desafios financeiros enfrentados pelos compradores mais jovens para acessar a casa própria.

Os dados mostram que 82,5% das pessoas que simulam financiamento pertencem às gerações Y e Z, sendo 38,2% da primeira e 44,3% da segunda. Além disso, 84% possuem renda familiar de até R$ 10 mil mensais. A base de simulações é concentrada principalmente no segmento econômico.

No Minha Casa, Minha Vida, a renda mensal familiar mediana dos interessados é de R$ 4.500, enquanto o imóvel tem preço mediano de R$ 298 mil, equivalente a 5,7 anos de renda. Entre os integrantes da Geração Z, cuja renda mediana é de R$ 4 mil, essa relação sobe para 6,5 anos. Na geração Y, cai para 4,7 anos; na X, para 4,3; e entre os baby boomers, para 4,5 anos. O indicador compara o preço do imóvel à renda familiar anual, sem considerar juros ou condições de financiamento.

A disponibilidade de recursos para a entrada também varia. A entrada mediana é de R$ 4 mil na Geração Z, R$ 8 mil na Y, R$ 10 mil na X e R$ 5 mil entre os boomers. Apenas 1,8% dos jovens declaram ter o equivalente a pelo menos 20% do preço do imóvel, percentual que chega a 10,5% na geração X.

Uma das diferenças identificadas pelo levantamento está no comportamento durante a busca. Embora tenham menor renda e menos recursos para entrada, os integrantes da Geração Z são os que menos fazem perguntas sobre parcelas, entrada e preço.

Entre os jovens que simularam financiamento, apenas 10,9% das conversas incluem perguntas sobre parcelas, 10% sobre entrada e 26,9% abordam o preço do imóvel. Entre os boomers, esses percentuais sobem para 28,8%, 32,8% e 36,4%, respectivamente. A preocupação com localização também aumenta conforme a idade, passando de 15,4% das conversas da Geração Z para 31,8% entre os boomers.

As objeções à compra seguem a mesma tendência. Enquanto 9% dos jovens apresentam alguma resistência durante a conversa, o percentual chega a 33,3% entre os boomers. O perfil familiar também muda: 70,2% dos integrantes da Geração Z que simulam financiamento são solteiros, enquanto 69,3% da geração X possuem dependentes e 57,5% dos boomers são aposentados.

As diferenças regionais também aparecem no levantamento. No segmento de médio e alto padrão, um imóvel na capital paulista custa, em média, R$ 824 mil e possui 60,6 m². Fora da cidade, o preço médio é de R$ 805 mil para uma área de 103,7 m², aproximadamente 71% maior. O metro quadrado chega a R$ 13.502 em São Paulo, ante R$ 11.161 no restante do país.

No Minha Casa, Minha Vida, os imóveis analisados têm, em média, 43,9 m² na capital paulista, com preço de R$ 270 mil, enquanto nas demais regiões a área é de 68,5 m², por R$ 308 mil.

A pesquisa mostra ainda que as características regionais influenciam as dúvidas dos compradores. No Minha Casa, Minha Vida, 10,4% das conversas em São Paulo incluem perguntas sobre vagas de garagem, contra 1,1% no restante do país. No médio e alto padrão, o interesse por metragem aparece em 17,5% das interações na capital paulista, ante 8,8% nas demais regiões.

O padrão do empreendimento também altera as prioridades dos compradores. No Minha Casa, Minha Vida, 19,5% das conversas incluem perguntas sobre financiamento, contra 8,6% no médio e alto padrão e 8,3% no altíssimo. Já o preço aparece em 54,4% das conversas do médio e alto padrão, ante 33,7% no econômico.

Nos imóveis acima de R$ 1,5 milhão, ganham importância as perguntas sobre prazo de obra (19,4%) e disponibilidade de unidades (12,8%). Independentemente do segmento, a localização permanece como principal filtro utilizado nas buscas realizadas pela inteligência artificial, presente em 56,4% a 65,9% delas.

O levantamento também revela diferenças nos hábitos de busca. No médio e alto padrão em São Paulo, 18,9% das mensagens são enviadas entre 22h e 6h, contra 7,8% no restante do país. A Geração Z responde às mensagens da inteligência artificial em uma mediana de 22 segundos, enquanto os boomers levam 41 segundos.

Geração concilia imediatismo das bets com planos de aposentadoria

Ao mesmo tempo em que demonstra interesse em retorno financeiro imediato, também manifesta intenção de construir segurança financeira para o futuro. Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 50% dos brasileiros com idade entre 16 e 29 anos tiveram contato com bets, por outro lado, 78% estão preocupados com a aposentadoria.

Quando o assunto é bets, os dados mostram que 17% dos brasileiros realizam apostas. Entre os Millennials, 45% já tiveram envolvimento em apostas, enquanto na Geração X, esse percentual chega a 34% e, entre os Boomers, a 27%.

Em relação à aposentadoria, a Geração Z mostra que 78% já começaram a guardar dinheiro, ou ainda pretendem. Ao passar das gerações, esse número cai. Entre os millenials, 76% já possuem reserva ou pretendem ter, seguido pela Geração X, com 67% e os Boomers.

A Geração Z apresenta um comportamento mais digital e descentralizado na hora de se informar sobre finanças. YouTube e Instagram são utilizados por 49% e 45% dos jovens, respectivamente, enquanto 29% recorrem a buscadores. As ferramentas de LLM já aparecem nesse processo sendo a escolha de 17%.

Já entre os boomers, as fontes de informação mudam. As pessoas com idade entre 62 e 80 anos buscam mais dados sobre investimentos na TV (23%), YouTube (14%), revistas e jornais (11%), buscadores (11%) e WhatsApp (11%). A IA chegou a 2%.

 

FONTE: MONITOR MERCANTIL