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11/02/2026

São Paulo vai ganhar 24 novos prédios de escritórios até 2027, um recorde (Broadcast | Estadão)

Edifícios somam 497 mil m² de área bruta locável, seis vezes o total de entregas de 2025.

Por Circe Bonatelli

 

A cidade de São Paulo terá um recorde de entregas de prédios de escritórios nos próximos dois anos. O movimento marca a retomada do crescimento desse mercado após vários anos atrás de inquilinos para ocupar os imóveis que ficaram vagos durante a pandemia. Depois que os prédios disponíveis no mercado foram preenchidos, muitos empresários decidiram acelerar as obras e concluir os empreendimentos que ficaram “cozinhando” nesse período.

Até o ano que vem, a capital paulista terá 24 novos prédios corporativos de alto padrão, um recorde. Desse total, 18 serão entregues em 2026 e seis em 2027. Juntos, eles têm uma área bruta locável (ABL) de 497 mil m², o equivalente a 62 campos de futebol empilhados pela cidade. O montante também é quase seis vezes o total de entregas ocorridas em todo o ano de 2025, que ficou em 84 mil m². Os dados são da consultoria imobiliária JLL.

A explicação por trás desse entusiasmo tem a ver com a evolução das locações. No ano passado, o setor teve recorde de locações: foram 688 mil m², 32% a mais que no ano anterior. Se descontadas as áreas devolvidas, a absorção líquida do mercado foi de 347 mil m², também um recorde. Com isso, a área vaga caiu de 20,9% no fim de 2024 para 14,7% no fim de 2025. Esse é um nível que já representa equilíbrio do mercado para proprietários e inquilinos, isto é, não tem mais tanto imóvel sobrando, nem escassez de escritórios.

Movimento demorou a emplacar

“Na pandemia, muitas empresas devolveram seus escritórios. A partir de 2022, começou um movimento de volta, mas que demorou a emplacar. As empresas levaram um tempo para tomar a decisão de retornar ao presencial e a expandir seus negócios”, explica a diretora de Locações da JLL, Yara Matsuyama. “Mais recentemente, o ano de 2024 foi muito bom para as locações, bastante movimentado. Já 2025 foi bombástico! E para 2026, esperamos que seja muito positivo também.”

Essa retomada é fruto da combinação de três fatores, segundo a diretora da JLL: volta ao expediente presencial, crescimento das empresas e busca por eficiência, com muitas corporações buscando modernizar seus escritórios e reunir os times num só endereço.

Com o aumento da procura, o preço dos aluguéis também reagiu, após vários anos estagnado. O valor médio de locação aumentou 12,2% no último ano, um patamar bem acima dos principais indicadores de inflação do Brasil, como o IPCA, de 4,26% (inflação oficial), o IGP-M, negativo em 1% (geralmente usado nos contratos de aluguel) e o INCC, de 6,1% (inflação da construção).

Esses fatores explicam porque São Paulo terá essa safra recorde de 24 novos prédios até 2027. “Muita gente segurou as obras e adiou os projetos após a pandemia. Mas com a aceleração das locações, também vimos a aceleração das obras”, observa Yara. Com a demanda de inquilinos em alta e os preços de aluguel crescentes, esse é um bom momento para os empreendedores encerrarem as obras e inaugurarem seus prédios, complementa a diretora.

Alguns prédios já têm contratos de locação

Tanto que boa parte dos novos prédios já têm contratos de pré-locação. Em 2026, os 18 prédios que serão entregues totalizam 379 mil m², sendo que 89,2 mil m² já têm inquilinos, ou 23,6% deste total. Um exemplo disso é o Nubank, que acertou a locação da torre Cyrela Corporate, imóvel que a Cyrela está construindo na Rua Oscar Freire e que será um dos maiores prédios de escritórios da nova safra na capital paulista, com 48 mil m². Outro caso é o da Amazon, que locou todo o prédio Biosquare, em Pinheiros, que pertence a um fundo de investimento da Kinea. O imóvel também é um dos grandes, com 39,2 mil m².

Outros imóveis, entretanto, estão em busca de inquilinos. A Eztec, da família Zarzur, deve entregar nos próximos meses duas torres que compõe o empreendimento Esther Towers, cada uma com 45,4 mil m². A incorporadora postergou as obras nos últimos anos à espera de uma recuperação do mercado. Mais recentemente, disse que vinha negociando com alguns interessados, mas ainda sem um acordo sobre o valor do aluguel - que estaria mais baixo do que desejava.

Já a principal entrega do ano será o WT Alto das Nações, com 219 metros de altura e cerca de 39 andares, o que fará dele o prédio de escritórios mais alto da cidade. Em termos de área, são 98 mil m². A Votorantim é a principal proprietária do espaço e possivelmente levará ao menos uma parte das suas operações para lá, além de procurar também outros inquilinos.

Vacância

No caso do WT Alto das Nações e da Esther Towers, há um desafio por estarem localizado numa região em que a vacância ainda está bem mais alta que a média da cidade. Na Chácara Santo Antônio, os prédios ainda têm 33% de espaços vagos, segundo a JLL. Isso mostra que a recuperação do setor tem ocorrido, mas de forma desigual pela cidade. Já nos bairros mais concorridos, a vacância está bem baixa e já faltam escritórios, como ocorre na Avenida Paulista (vacância de 4,3%), JK (8,5%), Berrini (10,4%) e Faria Lima (13%), por exemplo.

 

FONTE: BROADCAST | ESTADãO