Por Alessandra Saraiva
Após avançar 0,29% em agosto, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) subiu 0,28% em setembro, informou na quarta-feira (7) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em 12 meses, o indicador também permaneceu praticamente inalterado, de 5,09% para 5,08%.
A manutenção de alta na variação do custo de aluguel reflete o ambiente ainda aquecido no mercado de locação, informou Matheus Dias, economista da fundação responsável pelo indicador. Para ele, o fato de o Ivar ter ficado praticamente igual, entre agosto e setembro, evidencia pressão contínua em preços de aluguel no país. “Eu diria que o preço do aluguel opera com viés de alta”, disse, acrescentando que isso deve permanecer até fim do ano.
Dias ponderou que, assim como ocorreu em agosto, o mês de setembro mostrou cenário similar ao observado nos últimos meses, nas capitais, no mercado imobiliário. Há oferta limitada de imóveis para locação, lembrou. Por outro lado, continuam altos os custos do financiamento imobiliário, devido ao ambiente de juros elevados. Isso dificulta aquisição de casa própria e, por consequência, eleva demanda por locação. O maior endividamento das famílias neste ano, também dificulta condições para pagar financiamento, disse.
Ao detalhar evolução do Ivar entre agosto e setembro, o especialista citou outro fator para que o indice não desacelere tanto: a demanda aquecida no mercado do Rio de Janeiro. Entre as quatro capitais usadas para cálculo do indicador, o Ivar carioca saltou de 0,24% para 0,45%, de agosto para setembro. Dias explicou que a cidade, por ser turística, destina parte de estoque imobiliário a esse segmento. Isso provoca oferta limitada para mercado residencial tradicional e contribui para preços elevados de locação, mesmo com ritmo contínuo de lançamentos.
Também de agosto para setembro, no mesmo período, a FGV também apurou ainda fim de deflação do Ivar em Porto Alegre (de -0,14% para 0,57%), o que ajudou a manter o Ivar nacional sem cair muito.
Em contrapartida houve estabilidade do indicador em Belo Horizonte e desaceleração do índice em São Paulo (de 0,30% para 0,15%), de agosto a setembro.
No entanto, as taxas mensais, referentes a setembro deste ano, que entraram na série em 12 meses do Ivar das capitais, foram menores que as de setembro do ano passado. Isso levou a desaceleração, da inflação acumulada, na maioria das cidades pesquisadas, ante observado em agosto. Em São Paulo passou de 4,58% para 4,35%, no Rio de Janeiro, de 6,37% para 5,77% e, em Belo Horizonte, de 8,47% para 7,88%. Já em Porto Alegre houve aceleração de 3,36% para 4,36%.
Mas mesmo com taxas menores em 12 meses, indicador usado para mensurar tendências, isso não significa que variação do aluguel vai diminuir de ritmo, afirmou Dias. Pelo contrário: ele não descartou novas altas, no Ivar. Isso porque o mercado imobiliário, além de fatores conjunturais, como demanda aquecida, é afetado por fatores estruturais que impulsionam preço de locação.
Um deles, lembrou, é movimento contínuo de alta de preço de imóveis residenciais: quando o valor do imóvel aumenta, os preços dos aluguéis também são impulsionados para cima.
“Uma outra questão, que não é de solução rápida, é a questão do endividamento das famílias e das taxas de juros elevadas que encarecem financiamento imobiliário”, acrescentou.