Por André Ítalo Rocha
Segundo uma estimativa feita pelo FGV Ibre, o PIB das construtoras teve uma expansão de 2,8% no ano passado, enquanto o IBGE mostra um avanço mais tímido, de 0,5%, praticamente uma estagnação.
A diferença existe porque o cálculo do IBGE também inclui as obras feitas por pessoas físicas (autoconstruções e reformas), que de fato caíram e influenciaram o resultado geral da construção civil.
“O mercado informal da construção está menor porque o juro está muito alto para as famílias que precisam financiar suas obras, e isso acaba mascarando o resultado das construtoras, que conseguem crédito a taxas mais atrativas,” Yorki Stefan, o presidente do Sinduscon-SP, disse ao Metro Quadrado.
Segundo ele, o que está garantindo um bom desempenho para as construtoras é a alta demanda das incorporadoras que atuam no Minha Casa Minha Vida e as obras de infraestrutura, que estão compensando a queda dos lançamentos de prédios residenciais voltados à classe média.
Tanto que, em 2025, o setor formal da construção criou 87,8 mil empregos no País, aumentando o seu contingente em 3%.
Yorki diz que o mercado continua aquecido no primeiro semestre deste ano em razão de obras públicas que estão sendo aceleradas pelos governos estaduais antes das eleições – o que significa que o segundo semestre tende a perder fôlego nesse nicho.
O início do ciclo de corte de juros também tem animado o setor, mas o presidente do Sinduscon-SP pondera que o processo de afrouxamento monetário já está mais lento do que se imaginava (com a queda de 0,25 p.p. na Selic, em vez de 0,5 p.p.) e que o movimento demora a surtir efeito no mercado imobiliário.
Já o mercado informal pode voltar a crescer com o início da nova política de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, dando um fôlego às famílias que pretendem fazer reformas.
“Com isso o PIB do setor como um todo poderá crescer mais em 2026,” disse o presidente do Sinduscon-SP.