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23/12/2025

O Novo Mapa do Luxo Imobiliário no Brasil em 2025 - Forbes

Com São Paulo acelerando lançamentos, o Rio liderando em preço do metro quadrado e novas regiões ganhando protagonismo, o alto padrão redefiniu onde está o valor no país

O mercado imobiliário residencial de luxo e superluxo no Brasil mais do que dobrou de tamanho em 2025 quando comparado ao ano anterior. O VGV (Valor Geral de Vendas) lançado avançou mais de 120%, alcançando R$ 37,1 bilhões, enquanto o VGV vendido cresceu quase 90%, somando R$ 34,3 bilhões.

Os dados são da Brain Inteligência Estratégica, e refletem o comportamento de capitais do Sul e Nordeste, além das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os números comprovam o que muita gente do setor já sabe: o alto padrão consolidou se como o principal vetor de expansão e concentração de capital do setor.

A expansão também foi visível no volume físico. O número de unidades lançadas nas principais regiões do país avançou 85%, passando de 4.255 para 7.880 unidades na comparação anual. As vendas acompanharam o movimento, com crescimento de 45,5%, totalizando 6.798 unidades comercializadas no período.

O saldo de maior liquidez e capacidade de absorção se deu mesmo em um cenário macroeconômico adverso.

Esse desempenho ampliou a distância entre o luxo e o restante do mercado imobiliário. Enquanto segmentos econômicos e médios, de R$ 700 mil a R$ 2 milhões, enfrentaram retração de lançamentos em diversas praças, o alto padrão operou como um ativo de proteção patrimonial.

Para especialistas, o desempenho poderia ser bem melhor não fosse a Selic a 15%. A leitura é a de que esse público prioriza a rentabilidade. 

“O setor de alto padrão, que opera majoritariamente com recursos próprios e dispensa o financiamento imobiliário, sentiu o impacto da Selic através da seletividade dos investidores”, afirma Renato Correia, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil).

Confira abaixo os destaques de cada região, onde é o metro quadrado mais caro do Brasil (spoiler: não é em São Paulo), e desempenho de uma outra região, o litoral norte de Santa Catarina, “meca” dos arranha-céus de superluxo.

São Paulo: o principal motor financeiro

São Paulo concentrou a maior parcela do crescimento do mercado de luxo em 2025. O número de unidades lançadas saltou de 1.819 para 3.668, mais que dobrando em relação ao mesmo período de 2024.

Em valor, o avanço foi ainda mais expressivo, com o VGV lançado crescendo de R$ 8,6 bilhões para R$ 21,3 bilhões, refletindo o aumento do tíquete médio e a maior presença de projetos de alto padrão.

As vendas acompanharam esse ritmo. As unidades comercializadas passaram de 2.148 para 3.138, enquanto o VGV vendido avançou de R$ 9,8 bilhões para R$ 20,2 bilhões.

O segmento de luxo passou a responder por 35% de todo o VGV lançado na capital paulista, consolidando a cidade como o principal polo financeiro do setor no país.

No recorte urbano, a Vila Nova Conceição manteve-se como o bairro mais caro da cidade, com metro quadrado de R$ 44.882 e valorização anual relevante. Ao mesmo tempo, novos polos de lançamentos ampliaram a presença do luxo para além dos bairros tradicionais.

Na leitura de Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), há espaço para crescimento do mercado como um todo, o que também inclui a alta renda, desde que a legislação urbanística da cidade de São Paulo seja aperfeiçoada.

“Apesar da recente revisão, a legislação urbana de São Paulo permanece restritiva e insuficiente para suprir a alta demanda. Esse descompasso entre a oferta limitada e a procura elevada é o principal fator de valorização dos preços no setor”, afirma o executivo.

Rio de Janeiro tem o metro quadrado mais caro

O Rio de Janeiro seguiu uma trajetória marcada pela escassez de produto e pela forte valorização. Entre janeiro e setembro de 2025, o número de unidades lançadas no segmento de luxo e superluxo passou de 715 para 1.274, enquanto o VGV lançado avançou de R$ 1,71 bilhão para R$ 5 bilhões.

Do lado das vendas, o crescimento em volume foi mais moderado, com as unidades comercializadas passando de 701 para 788. Ainda assim, o impacto financeiro foi expressivo. O VGV vendido quase dobrou, avançando de R$ 1,75 bilhão para R$ 3,26 bilhões, impulsionado pela elevação do preço por metro quadrado.

Esse movimento consolidou o Rio como o mercado mais caro do país. A valorização do superluxo, superior a 40% em um ano, levou o Leblon a atingir R$ 63.373 por metro quadrado, reforçando o caráter patrimonial e exclusivo do mercado carioca.

Nordeste cresce com equilíbrio entre oferta e demanda

As capitais do Nordeste apresentaram um dos desempenhos mais consistentes de 2025. O número de unidades lançadas avançou de 1.020 para 1.694, enquanto o VGV lançado cresceu de R$ 3,4 bilhões para R$ 5,4 bilhões, refletindo a expansão ordenada da oferta. 

A demanda acompanhou esse movimento. As unidades vendidas passaram de 944 para 1.560, e o VGV vendido subiu de R$ 3,2 bilhões para R$ 5,1 bilhões, confirmando um mercado com forte capacidade de absorção e menor risco de acúmulo de estoque.

Dentro da região, Recife destacou se pelo crescimento expressivo em valor, Fortaleza ganhou protagonismo com o avanço do superluxo nos lançamentos recentes e Maceió chamou atenção pelos preços elevados no segmento de alto padrão.

Região Sul evidencia a força da concentração de valor

A Região Sul reforçou em 2025 a tese de que o luxo concentra valor mesmo com participação limitada em volume. Os lançamentos cresceram de 701 para 1.244 unidades, enquanto o VGV lançado avançou de R$ 2,67 bilhões para R$ 5,38 bilhões, mais que dobrando em termos financeiros.

Nas vendas, o número de unidades comercializadas passou de 881 para 1.312, e o VGV vendido subiu de R$ 3,45 bilhões para R$ 5,78 bilhões.

Embora o luxo represente uma fatia reduzida do total de unidades do mercado residencial da região, ele concentrou parcela expressiva do valor movimentado. O principal motor desse avanço foi Florianópolis, que registrou forte expansão nos lançamentos e consolidou o metro quadrado mais caro do Sul no segmento superluxo, com preços acima de R$ 38 mil.

“A cidade [Florianópolis] se destaca pela escassez de terrenos em uma ilha de alta renda, o que eleva drasticamente o custo de produção e o preço final, tornando-a um polo de luxo”, avalia Fábio Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica.

Ponto fora da curva

Os dados acima são de estudos elaborados pela Brain em momentos diferentes. Eles não resumem toda a produção do luxo e superluxo do Brasil, porém, dão um bom indicativo de que o setor anda de vento em popa.

“Se a Selic estivesse em 7%, 6%, você ia ver o mercado bombar ainda mais.  Porque simplesmente você tem demanda para isso” afirma Carlos Honorato, professor da FIA Business School.

Segundo ele, para a faixa dos super ricos, o setor imobiliário se torna uma das opções mais atrativas de investimento, sobretudo em detrimento a outras opções no mercado.

Embora o estudo da Brain aborde Santa Catarina, ele não detecta a movimentação do mercado imobiliário do norte do Estado, onde estão pontos como Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema e Itajaí, que reúnem alguns dos empreendimentos de superluxo do Brasil, alguns que chegam a ter valor de mercado de R$ 300 milhões.

Uma das mais atuantes na região é a FG Empreendimentos, de Jean Graciola, que já entregou mais de 60 obras e tem 15 delas em construção. A “jóia da coroa” é o Senna Tower, que projetado para ser a torre residencial mais alta do mundo, com 550 metros, em homenagem a Ayrton Senna. 

No empreendimento, os apartamentos de alto padrão, que são classificados pela construtora como “mansões suspensas” partem de R$ 28 milhões, e podem chegar a até R$ 300 milhões, dependendo da configuração, o que implica em R$ 100 mil o metro quadrado, muito superior ao Leblon, no Rio de Janeiro.

Lançado em maio deste ano, com investimento de R$ 3 bilhões, ele tem VGV de R$ 5 bilhões, quase o mesmo valor de todas as unidades de luxo e superluxo vendidas nas capitais do Nordeste neste ano. Até agora, 25% foram vendido. Parte desse resultado, se deve aos compradores de São Paulo, segundo o executivo.

E ele não está sozinho. Thiago Cabral, CEO da ABC & Embralot, é o responsável pelo Bravo Residences by Arthur Casas, localizado na Praia Brava, em Itajaí, entregue neste mês de dezembro. O metro quadrado de cada unidade passa dos R$ 85 mil.

De 2022 a 2025, a ABC já lançou mais de R$3,5 bilhões em VGV e entregou 2.000 unidades. A maior carta na manga, porém, foi a estruturação de 12,4 milhões de metros quadrados de terreno distribuídos em cidades como Porto Belo, Tijucas, Florianópolis, Blumenau e Itapema, onde a empresa pretende lançar empreendimentos de luxo e superluxo com um VGV potencial de R$ 17 bilhões.

“O litoral norte de Santa Catarina é um litoral que não tem concorrência. Um litoral que não tem fronteira. É diferente de outros litorais, pois quem compra e quem frequenta é, geralmente, quem está próximo de lá. Aqui, temos clientes e investidores de todo o mundo”, diz Cabral.

FONTE: FORBES