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01/10/2026

Na Chucri, o residencial surfa o boom de escritórios (Metro Quadrado)

A transformação da Avenida Dr. Chucri Zaidan em um dos principais polos corporativos de São Paulo está aquecendo o mercado residencial da região.

Por Larissa Vitória

Em 2025, a área registrou o maior número de lançamentos de moradias em cinco anos, segundo a Binswanger Brazil. Foram 2,8 mil novas unidades no ano passado e mais mil entre janeiro e agosto de 2026. 

Os novos projetos buscam atrair os trabalhadores dos escritórios próximos. 

O principal novo inquilino da região é o Itaú, que fechou com a Eztec a maior locação de escritórios da história de São Paulo, em um contrato que contempla 91,4 mil metros quadrados e 9,6 mil posições de trabalho. 

Além do banco, o eixo da Chucri abriga empresas como a Claro, Braskem e Enel.

“Há uma concentração de multinacionais e de ocupantes de grandes áreas que trazem diretores, gerentes e o back office, e isso influencia o pêndulo de moradia,” Marco Siqueira, o diretor de incorporação e comercial da Eztec, disse ao Metro Quadrado.

A construtora atua na região há 20 anos e já lançou ali mais de duas dezenas de projetos, sozinha ou em conjunto com a Adolpho Lindenberg. 

Nos anos 2000, o mercado residencial da região foi impulsionado pela Operação Urbana Água Espraiada, mas hoje seu desempenho está atrelado ao segmento corporativo. 

Melissa Spinelli, a diretora de transações de escritórios da Binswanger, afirma que a maior concentração de empresas afeta o trânsito, o que amplia o interesse por apartamentos. “Essa demanda por moradia próxima ao trabalho só cresce,” disse ela.

Paradoxalmente, as novas moradias estão cada vez menores, ao contrário dos escritórios, que ocupam lajes de grandes proporções.

A área média da unidade lançada caiu de 117 m² em 2018 para 34,5 m² em 2025 na região, uma redução de 70%, ainda segundo a Binswanger. A queda acompanha a tendência de domínio dos compactos no restante da cidade.

Os apartamentos novos são buscados tanto por funcionários das torres da região quanto por investidores, que planejam alugar os apartamentos para esse público. 

A predominância dos compactos fez com que o preço médio dos lançamentos residenciais tenha se estabilizado na faixa dos R$ 16 mil por m² nos últimos dois anos – a exemplo do que acontece em Pinheiros, onde os escritórios têm ganhado preço mais rápido do que os imóveis residenciais.

Além disso, os estoques estão subindo e se concentram nos imóveis com menos de 30 m², em um movimento de desaceleração da demanda por estúdios.

Para a Binswanger, o patamar ainda é saudável, pois o estoque se concentra nas safras de 2025 e 2026. Os lançamentos de 2021 a 2023 já estão entre 86% e 95% vendidos, um fluxo considerado saudável. 

“Há um volume bom de entregas e de absorção, o que mostra o mercado residencial se expandindo para acompanhar a ocupação corporativa,” disse Paulo Izuka, o diretor de ativos e produtos da Urban Systems, uma empresa do Grupo Binswanger.

A Eztec, cujo landbank de R$ 3,7 bilhões na Zona Sul está concentrado no entorno da Chucri Zaidan, também não vê problema.

“O estoque está um pouco mais alto na região como um todo, então todo mundo tira um pouquinho o pé e logo mais volta,” disse o diretor.

 

FONTE: METRO QUADRADO