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18/03/2026

Multifamily De Luxo Avança No Brasil E Já Tem Aluguéis de até R$ 120 Mil - Forbes

Modelo atrai alta renda, movimenta bilhões em investimentos e consolida nicho…

Por Clayton Freitas

Durante décadas, o aluguel foi associado no Brasil a uma etapa temporária da vida financeira. No imaginário popular, quem tinha dinheiro comprava. Esse paradigma começa a mudar no topo do mercado imobiliário. O modelo multifamily, composto por empreendimentos residenciais inteiros destinados à locação e administrados de forma profissional, passou a atrair a alta renda. 

Empresários, executivos de multinacionais e profissionais liberais de maior renda agora encontram a opção de viver em imóveis alugados de alto padrão, em vez de comprar. O mercado passou a oferecer contratos mais flexíveis, distantes dos prazos longos e rígidos dos modelos tradicionais.

O movimento consolidou um nicho premium no país e abriu espaço para aluguéis que rivalizam com os valores das residências mais exclusivas.

Mercado de Nicho

O multifamily ainda engatinha no Brasil. Consultorias estimam cerca de 20 mil unidades em todo o país, com forte concentração no Sudeste, especialmente em São Paulo. O número é pequeno quando comparado a mercados mais maduros, como Estados Unidos e México. 

Para Gustavo Favaron, CEO do think tank Global Real Estate and Infrastructure Institute, o modelo pode ganhar tração em meio a uma “tempestade perfeita” no acesso à moradia global, marcada por juros elevados, custos crescentes e renda pressionada. 

No topo da pirâmide, porém, o multifamily já se consolida como alternativa flexível de moradia, seja temporária ou permanente.

Os valores e a matemática do luxo

A Vila 11, presente em bairros como Itaim e Higienópolis, registra aluguéis de até R$ 18 mil. O operador Charlie trabalha com unidades entre R$ 22 mil e R$ 23 mil mensais. No complexo Parque Cidade Jardim, apartamentos operados pela Brookfield chegam a cerca de R$ 40 mil por mês. No topo dessa pirâmide está a JFL, com unidades de 431 metros quadrados cujo aluguel pode se aproximar de R$ 120 mil mensais. 

Segundo Lucas Messias Cardoso, diretor de operações da JFL, o perfil do morador é distinto do público de estadias curtas. “O nosso morador não fica 10 dias, não fica três dias. As unidades são pensadas como casas”, afirma. 

Por trás dessa escolha há uma lógica financeira objetiva. Em um ambiente de juros elevados, muitos preferem manter o capital investido em vez de imobilizá-lo na compra de um imóvel.

“O pessoal de renda mais alta sabe fazer conta e não está mais nesse movimento de financiar ou comprar”, diz Ricardo Laham, CEO da Vila 11.

FONTE: FORBES