A parcela de imóveis novos lançados e vendidos no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue em ritmo de alta em São Paulo, maior mercado do país, mas caiu no primeiro semestre em municípios do interior do Estado, mostra pesquisa do Secovi-SP, sindicato que representa o setor imobiliário paulista, feita pela consultoria Brain com dados de 42 cidades.
A participação de imóveis do programa nos lançamentos dessas cidades foi de 48,9% no primeiro semestre, queda de 6,9 pontos percentuais ante o mesmo período de 2025, quando essas unidades eram 55,8% do total. Nas vendas, a queda também existe, mas é menor, de 4,5 pontos percentuais, para 45,6% de participação.
Em números absolutos, são 13.768 unidades lançadas pelo MCMV no primeiro semestre e 15.754 unidades comercializadas.
Enquanto isso, na capital, o crescimento do setor imobiliário continua dependendo do avanço do programa habitacional. Os lançamentos cresceram 18% na cidade nos últimos 12 meses até julho, com a parcela de unidades do MCMV passando de 60% para 68% do total lançado.
Em números absolutos, houve queda dos lançamentos de outras categorias, mas alta de 33% nos imóveis do programa.
A boa performance do MCMV nas vendas, no entanto, não foi suficiente para segurar a comercialização de imóveis, que caiu 2% no total do mercado na cidade, embora tenha subido 20% em um ano ao se considerar apenas os imóveis do programa.
Ely Wertheim e Celso Petrucci, presidente-executivo e diretor de economia do Secovi-SP, analisam que há um enriquecimento das cidades do interior, combinado com uma maior oferta de imóveis de alto padrão - e em grau de alto padrão que antes não era feito fora da capital. “Tem produto a R$ 20 mil o metro quadrado, a R$ 15 mil”, afirma Petrucci.
Na pandemia, houve uma migração de pessoas da capital para o interior do Estado, mas eles afirmam que o cenário atual não se deve mais a esse movimento, e sim à economia das cidades do interior paulista.
De fato, os dados da pesquisa mostram que houve uma queda de 12% no número de unidades lançadas e de 2,8% nos imóveis novos vendidos nas cidades do interior, mas o valor das vendas cresceu 17,6% e o dos lançamentos ficou estável, o que indica que imóveis mais caros foram colocados no mercado e vendidos.
Na capital, há um sentimento de apreensão no setor de médio e alto padrão. O tempo médio de escoamento para esses lançamentos passou de 11 meses, ao fim de 2025, para 13 meses em julho, acompanhando uma queda na velocidade de venda.
A percepção é que o cliente de alta renda tem muitas opções de lançamento - vários lutando por destaque nas mesmas regiões, já que os bairros considerados de alto padrão são relativamente poucos na cidade - e pouca pressa para escolher. Para piorar, ele está ciente do seu poder de negociação no mercado atual.
Já a classe média que não entra no MCMV, esticado até a renda familiar de R$ 13 mil, segue com dificuldades para fazer a conta do financiamento fechar.
No dia 10, o Conselho Curador do FGTS liberou mais R$ 500 milhões para subsídios do MCMV, que agora tem orçamento de R$ 13 bilhões em 2026.