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09/03/2026

Loft acelera crédito imobiliário e vê home equity crescer mais de 100% - Exame

Empresa cresce 35% no ano com expansão do home equity e novos produtos financeiros para imobiliárias

Letícia Furlan

A Loft nasceu comprando e revendendo imóveis próprios. A empresa utilizava capital próprio para comprar apartamentos em bairros nobres de São Paulo. Ela reformava estes imóveis, que passavam por uma renovação completa e padronizada, e os colocava à venda numa promessa de transação mais ágil.

Em 2025, a companhia chegou a um marco inédito de 1,2 milhão de transações realizadas na plataforma, somando operações de compra, venda e aluguel. O volume representa alta de 35% em relação ao ano anterior e consolida a guinada da companhia para além da intermediação imobiliária.

O crescimento foi puxado, sobretudo, pelo avanço do crédito com garantia de imóvel - também conhecido como home equity.

Criada como uma proptech, a empresa hoje se posiciona como plataforma de tecnologia e serviços financeiros para o mercado imobiliário. Conecta bancos e imobiliárias, compara taxas e condições de crédito e recebe comissão das instituições financeiras a cada contrato fechado.

Home equity

O principal motor de crescimento em 2025 foi o home equity. No período, a Loft registrou alta de 104% no número de contratos emitidos, crescimento de 105% nas aprovações e avanço de 121% no volume contratado ante o semestre anterior. O ticket médio das operações aprovadas foi de R$ 420 mil.

O funcionamento do serviço na Loft se baseia em um modelo de intermediação entre clientes e instituições financeiras. A empresa atua como uma plataforma que conecta proprietários de imóveis a alguns dos principais bancos do país, como Caixa, Santander, Itaú, Bradesco e Inter, realizando uma comparação entre as ofertas para apresentar as melhores taxas e condições de acordo com o perfil de cada cliente.

"A distribuição do produto ocorre por meio de um modelo B2B2C, digamos assim. A Loft utiliza sua rede de mais de 10 mil imobiliárias parceiras, que oferecem o crédito diretamente aos proprietários de sua base por meio do sistema operacional da empresa", explica Mate Pencz, CEO da empresa. Dessa forma, os proprietários que possuem imóveis administrados ou anunciados por essas imobiliárias parceiras podem acessar o crédito.

“E ainda há muito espaço para crescer como um todo, e na Loft em particular”, complementa o executivo. "Temos uma base de quase meio milhão de proprietários que utilizam a Loft para administrar ou alugar imóveis, aos quais oferecemos o serviço diretamente quando surge uma necessidade de capital”, explica.

Entre os atrativos financeiros do produto estão as taxas de juros mais baixas em relação ao financiamento tradicional e, em alguns casos, até inferiores às do crédito consignado. O limite de empréstimo pode chegar a até 50% do valor do imóvel, no modelo conhecido como loan-to-value (LTV).

Na prática, o crédito costuma ser utilizado por proprietários para reformar imóveis antigos, o que pode aumentar o valor do aluguel e a rentabilidade do ativo. Também é comum que os recursos sejam direcionados para investimentos em negócios próprios, já que o dinheiro obtido por meio do home equity tem uso livre.

Caução que rende o CDI

No aluguel, o destaque foi o Garantia Investe, que permite ao locatário usar títulos públicos do Tesouro Direto como garantia contratual. O número de contratos cresceu 84% entre 2024 e 2025. Trata-se de um modelo de garantia locatícia que busca substituir mecanismos tradicionais, como fiador ou cheque caução.

A solução funciona por meio de um investimento financeiro. Em vez de depositar uma caução tradicional, o inquilino aplica um valor equivalente a cerca de três meses de aluguel em títulos do Tesouro Direto. O montante fica em uma conta garantida registrada na B3, o que dá segurança jurídica e operacional para a transação.

A principal diferença em relação ao depósito caução convencional é que o dinheiro não fica parado. Enquanto mora no imóvel, o inquilino continua recebendo a rentabilidade do investimento, com rendimento próximo ao CDI, podendo acompanhar a evolução do valor diretamente pelo celular.

Os valores assegurados variam de R$ 250 mil a R$ 400 mil por contrato. A cada semana, cerca de 70 novas imobiliárias passam a utilizar o produto, que já soma mais de R$ 75 milhões em propostas. A meta da companhia é encerrar o primeiro trimestre de 2026 com mais de 7 mil contratos ativos nessa modalidade.

A aposta ocorre em um momento de aquecimento do mercado. “A gente está com uma perspectiva muito otimista para 2026. Acho que, três meses atrás, eu não estaria falando isso. A gente está vendo um volume muito expressivo. Estamos inclusive ajustando o nosso guidance, a nossa projeção para este ano, para cima, com essa expectativa. E o avanço do mercado de locação como um todo também acabou beneficiando a nossa taxa de crescimento no nível do negócio como um todo", diz.

 

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FONTE: EXAME