A cidade de Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, recebeu autorização para aumentar a faixa de areia de 20 a até 60 metros de largura em um trecho de 4,75 km da orla no bairro Meia Praia.
De acordo com a prefeitura, a ação é necessária para enfrentar a erosão que ocorre na região e já diminuiu a faixa. Mas o aumento também é visto como uma aposta para aquecer ainda mais o movimentado mercado imobiliário do município, que tem o segundo metro quadrado mais caro do Brasil.
A licença ambiental de instalação do projeto foi concedida pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) e assinada no dia 6 de maio pelo governador Jorginho Mello (PL).
"A valorização dos imóveis aqui, a partir da faixa de areia engordada e ampliada, vai aumentar em 40%. Eu não tenho dúvida disso. Quem está fazendo negócio já está precificando essa valorização", disse ele em entrevista coletiva após a assinatura.
O projeto divulgado pelo governo do estado e pela Prefeitura de Itapema prevê a colocação de 416 mil a 498 mil m³ de areia em um trecho localizado entre os rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. A areia da obra será dragada a cerca de 19 km da costa.
A intervenção tem previsão de duração de quatro meses e deve começar em agosto deste ano, com duração estimada entre 90 e 120 dias. Os R$ 60 milhões para custear a obra serão financiados meio a meio pela prefeitura e pelo governo estadual.
Conforme comunicado da prefeitura, a medida é importante para manter a faixa de areia em um tamanho adequado e proteger a cidade contra eventos climáticos extremos e o avanço do mar.
"Na alta temporada, na parte da tarde, os turistas às vezes não conseguem ficar na praia. Não tem lugar para as famílias nem para os moradores, porque a faixa de areia estava diminuindo", disse o prefeito Alexandre Xepa (PL) em vídeo publicado nas redes sociais.
Ele diz que a expansão pode ter potencial turístico e econômico, com a realização de grandes eventos, além de aumentar o valor do metro construído na cidade. A reportagem tentou contato por email e telefone com a Prefeitura de Itapema para detalhar as expectativas de crescimento, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.
Em entrevista ao portal ND+ em fevereiro, Xepa disse estimar que o valor possa crescer em até 30%.
O metro quadrado em Itapema está em R$ 15.179, segundo o Índice FipeZAP de Venda Residencial de maio, um aumento de 8,22% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil ficam em Santa Catarina. Balneário Camboriú lidera o ranking, com R$ 15.185, seguida por Itapema, Vitória (ES), com R$ 14.818, Florianópolis, com R$ 13.208, e Itajaí, com R$ 13.166.
Itapema tem cerca de 75 mil habitantes e segue em expansão imobiliária nos últimos anos, apostando na verticalização e impulsionada, entre outros motivos, pelas limitações territoriais de Balneário Camboriú, uma das menores cidades em área territorial do estado.
A expansão da faixa de areia é semelhante ao que já foi feito na cidade vizinha de Balneário Camboriú. A iniciativa também já foi adotada em Balneário Piçarras, onde em abril foi concluída a quarta obra de alargamento da orla em menos de 30 anos.
Um trecho de 2,4 quilômetros da praia de Piçarras teve aumento de aproximadamente 30 metros, em média, com investimento de cerca de R$ 50 milhões. A ampliação do trecho alargado de 2 quilômetros para mais 430 metros foi recomendada após avaliação do INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias), que alertou para o risco de erosão.
O aumento da faixa de areia é citado pelas prefeituras como importante para impedir a erosão em áreas urbanizadas e até recomendado por órgãos ambientais em alguns casos, mas especialistas alertam para riscos causados pelas intervenções pontuais.