Notícias

06/10/2026

Iguatemi e Catuaí preparam complexo com escritórios e hotel na Faria Lima (Broadcast | Estadão)

Há negociações em andamento para receber um Four Seasons, rede de hotéis de alto padrão.

Por Circe Bonatelli

 

 

A Iguatemi e o Grupo Catuaí estão comprando e demolindo edificações antigas para erguer um empreendimento no Itaim, filé mignon do mercado imobiliário paulistano. A previsão inicial é que o complexo seja formado por torres de escritório e hotel, apurou a Coluna.

Ao menos dois prédios já foram demolidos, abrindo um clarão na quadra que tem um lado virado para a Rua Jerônimo da Veiga e outro para a Rua Amauri, quase na esquina da Faria Lima. As empresas buscam aquisições de mais imóveis no entorno para ampliar a área total do terreno, contaram fontes de mercado reservadamente.

Quem passar pelo local verá uma placa informando que o empreendimento pertence à TF 61 Empreendimento Imobiliário. Essa Sociedade de Propósito Específico (SPE) tem Iguatemi e Catuaí como sócias, conforme registros oficiais consultados pela Coluna.

Atualmente, o terreno tem um projeto com alvarás de aprovação e de execução emitidos pela Secretaria Municipal de Licenciamento (Smul) referente à parte que vai do número 436 ao 446. Trata-se de um prédio de escritórios com 13 pavimentos e quatro subsolos, com previsão de lojas na fachada ativa. Ao todo, essa torre terá uma área construída de 11,2 mil m².

Four Seasons?

A outra parte do terreno corresponde ao número 428, cuja demolição está na parte final e ainda não há pedido de uma edificação nova no local. Segundo fontes, o objetivo é erguer ali um hotel de luxo. Há negociações em andamento para receber o Four Seasons, rede de hotéis de alto padrão controlada por Bill Gates.

Como o terreno ainda está em formação, o projeto final pode passar por alterações tanto no tipo da edificação em si, quanto no uso dos imóveis. Caso isso ocorra, terá que passar por aprovação da Smul.

Procuradas, todas as partes recusaram o pedido de entrevista. A Catuaí citou que “não comenta publicamente detalhes sobre suas estratégias de negócios”. A Iguatemi informou em nota que não comenta “rumores de mercado”. Por sua vez, a Four Seasons afirmou que “avalia regularmente diversos mercados em crescimento ao redor do mundo e está sempre explorando oportunidades em novos destinos”.

Bandeira vai voltar ao Brasil

O Grupo Catuaí pertence à família Khouri, de Londrina, com atuação em construção e incorporação, além de deter uma gestora de investimentos imobiliários. O grupo tem negócios no Paraná e em São Paulo.

O Four Seasons está fazendo as malas para voltar ao Brasil. Há alguns meses, a bandeira de luxo comunicou oficialmente que chegará ao Rio de Janeiro em 2029 com investimento de R$ 600 milhões, por meio de parceria com a gestora de investimentos Catuaí Asset, da família Khouri. A gestora comprou o antigo Hotel Marina Palace, no Leblon, que passará por reforma.

O Four Seasons abriu sua primeira unidade brasileira em 2018, em São Paulo, no Parque da Cidade, ao lado da Marginal Pinheiros. Mas o negócio não contava com a pandemia, e acabou sendo desativado em 2021. Recentemente, o mercado hoteleiro no Brasil voltou a crescer, tanto para lazer quanto negócios, com ocupação e diárias em alta. Esse reaquecimento tem atraído novos investimentos.

Empresa de shoppings busca diversificação

Para a Iguatemi, a potencial entrada no setor de hotéis representaria uma diversificação dos negócios. A empresa da família Jereissati é dona de mais de uma dezena de shoppings e outlets espalhados pelo País. Neste momento, está trabalhando na expansão do Iguatemi São Paulo e do Iguatemi Brasília, além do retrofit do Market Place. A companhia tem também torres de escritórios, erguidas ao redor dos centros de compra, com intuito de aumentar o fluxo de visitantes.

Neste ano, a empresa lançou o Casa Figueira, loteamento na cidade de Campinas (SP) onde serão construídos, junto com parceiros, cerca de 100 prédios nos próximos 20 anos. Recentemente, a Iguatemi concluiu a venda de participações em cinco dos seus shoppings por R$ 876,1 milhões, que reforçarão o seu caixa e podem contribuir para dar vazão a novos projetos.

FONTE: BROADCAST | ESTADãO