Por Larissa Vitória
A Latin America REITs Association (LAREAL) tem entre seus fundadores a TRX Investimentos, a Valora Investimentos, a Vinci Compass, Alianza, a Guardian e a Suno, além do escritório I2A Advogados.
A tese deles é que a indústria brasileira já tem escala suficiente para despertar o interesse dos investidores internacionais, mas faltam ferramentas institucionais para cumprir os critérios de governança dos índices gringos.
O exemplo mais gritante é que boa parte dos demonstrativos financeiros dos fundos só está disponível em português, criando a necessidade de uma tradução para o inglês.
“A maioria dos sites também ainda não é bilíngue, então esses elementos tiram a elegibilidade dos fundos,” Potyguara Camargo, o presidente da LAREAL, disse ao Metro Quadrado.
Camargo, que esteve à frente da mesa institucional de FIIs da XP até o final do ano passado, diz que o Brasil já possui o sétimo maior mercado de REITs do mundo em termos de AuM e o segundo mais pulverizado em número de cotistas.
Mas a concentração em investidores nacionais de varejo - que representam 74% do mercado, segundo a B3 - gera distorções no secundário.
“Qualquer movimentação de pessoa física que não tem muito conhecimento de como opera esse ativo é totalmente impactante no preço, dada a baixa liquidez,” disse Camargo.
A participação dos investidores estrangeiros cresceu nos últimos anos e alcançou 22% do volume negociado em abril, ainda segundo a B3. Mas o percentual ainda é pequeno na comparação com o Ibovespa, por exemplo, onde cerca de 64% da liquidez vem dos players gringos.
Além disso, apenas uma pequena parcela dos fundos está nos índices e ETFs internacionais. “Os principais gaps são a falta de conhecimento externo e a falta de preparo dos gestores aqui no Brasil.”
Para mudar esse cenário, a LAREAL pretende atuar em três frentes. A primeira é de relacionamento, visando conectar o investidor local membro da associação com o investidor internacional.
A segunda é uma estrutura focada na compilação e produção de dados para desenvolver playbooks sobre a indústria local para divulgação.
A terceira frente é de relações públicas, visando um trabalho com os reguladores do setor para defender as pautas discutidas internacionalmente.
A ideia não é competir com a Anbima, por exemplo, que já representa as gestoras institucionalmente e é autorreguladora, mas promover pautas consideradas importantes no mercado e que, na visão da LAREAL, não foram priorizadas até agora.
“Teremos uma atuação em Brasília, mas isso não é prioridade agora, assim como as pautas com reguladores nacionais,” disse Camargo, acrescentando que o objetivo principal, por enquanto, é trabalhar na institucionalização e internacionalização dos FIIs.
O executivo diz ainda que a LAREAL não quer focar apenas no Brasil, e sim expandir as fronteiras geográficas para abarcar também outros países da América Latina - com exceção do México, que já tem sua própria associação.
“As associações foram muito importantes para o desenvolvimento de leis voltadas para REITs ao redor do mundo. Só a Europa, por exemplo, aumentou dez vezes o ritmo de crescimento depois que a EPRA nasceu.”
Outro impulsionador para o crescimento local é o processo de consolidação da indústria, liderado por casas como o Patria Investimentos.
Camargo afirma que as fusões e aquisições entre fundos e gestoras criam fundos maiores e mais líquidos e aumentam também as barreiras de entrada no mercado.
“Os players que entenderem que o crescimento é derivado muito mais da atenção internacional e institucional terão uma vantagem competitiva maior do que aqueles que estão olhando só para o varejo.”