Por Yasmin Spiegel
Mesmo com a taxa básica de juros ainda em patamares elevados, os brasileiros ainda apostam no financiamento na hora de adquirir um imóvel. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que os financiamentos imobiliários com recursos da poupança (SBPE) somaram R$ 17,17 bilhões em maio, alta de 51,5% em relação ao mesmo mês de 2025.
O volume representa o segundo melhor resultado para um mês de maio em toda a série histórica. Nos cinco primeiros meses de 2026, o crédito imobiliário já alcançou R$ 76,5 bilhões, crescimento de 23,9% na comparação anual.
Os números acompanham um cenário de valorização contínua dos imóveis. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), também da Abecip, registrou alta de 0,53% em maio e acumula valorização de 18,45% nos últimos 12 meses. Embora o ritmo tenha desacelerado em relação a abril, a valorização segue muito acima da inflação, do custo da construção civil e da variação dos aluguéis, indicando que a demanda continua aquecida mesmo diante de um ambiente de crédito mais restritivo.
Na avaliação de Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário, o desempenho do setor demonstra que a decisão de compra de um imóvel vai além da taxa de juros do momento. Segundo ele, muitas famílias precisaram adiar o sonho da casa própria devido ao aumento das parcelas e à perda de poder de compra, mas o mercado encontrou formas de manter sua dinâmica.
"Mesmo com os juros ainda em patamares elevados, o mercado imobiliário continuou fazendo negócios. A verdade é que muitas famílias precisaram adiar a compra do imóvel ou deixaram de conseguir aprovação de crédito porque perderam poder de compra com o aumento das parcelas. Ainda assim, os números da Abecip mostram que o setor segue demonstrando uma capacidade de adaptação impressionante”, afirma.
O executivo ressalta que esperar uma eventual queda dos juros pode não ser a estratégia mais vantajosa para quem pretende adquirir um imóvel. Isso porque, historicamente, a redução das taxas tende a impulsionar a demanda e, consequentemente, pressionar os preços dos empreendimentos.
"Os juros mudam ao longo do tempo. Quem toma decisões olhando apenas para a taxa de hoje pode deixar passar boas oportunidades. Historicamente, quando o crédito fica mais acessível, a demanda aumenta e isso costuma pressionar os preços dos imóveis. Por isso, esperar apenas a queda dos juros nem sempre significa fazer o melhor negócio”, ressalta.
Outro ponto destacado por Gava é que o financiamento imobiliário permite ajustes ao longo do contrato caso o cenário econômico mude. "Se os juros caírem, a portabilidade permite renegociar as condições e reduzir o custo da operação. Enquanto isso, o imóvel pode continuar se valorizando. Às vezes, esperar para economizar nos juros significa pagar mais caro pelo próprio imóvel", afirma.
Vale destacar que, em maio, a poupança SBPE voltou a registrar captação líquida positiva, com entrada de R$ 2,3 bilhões, revertendo o desempenho negativo observado no mesmo mês do ano passado. O saldo das cadernetas atingiu R$ 760,7 bilhões, contribuindo para ampliar a disponibilidade de recursos destinados ao financiamento habitacional.