O estudo, realizado com exclusividade para o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, analisou anúncios de locação e venda em um raio de um quilômetro ao redor da futura sede administrativa do governo paulista, além de comparar os dados com a média do Centro de São Paulo.
Aluguéis sobem acima da média do Centro
De acordo com o levantamento, o valor pedido de aluguel residencial no entorno da futura sede do governo aumentou 21% nos últimos 12 meses. No mesmo período, a média de alta na região central da cidade foi de apenas 5%.
Segundo o gerente de Inteligência Imobiliária do Grupo OLX, Coriolano Lacerda, o mercado de locação tende a reagir mais rapidamente a expectativas de transformação urbana.
“A locação é uma transação de menor desembolso, menor comprometimento de renda. É onde o choque aparece primeiro nos preços”, afirma.
O movimento indica que proprietários de imóveis na região começaram a testar valores mais altos de aluguel diante das promessas de revitalização do bairro.
Mercado de venda ainda demonstra cautela
Enquanto o mercado de locação já reagiu às expectativas, os preços de venda ainda mostram pouca movimentação. Os valores pedidos para imóveis residenciais no entorno da futura sede cresceram 4% nos últimos 12 meses, praticamente acompanhando a inflação e sem ganho real.
O desempenho está alinhado ao restante da região central, onde a alta média foi de 3% no mesmo período.
Na prática, isso indica que investidores e compradores ainda aguardam a concretização das intervenções urbanas prometidas antes de reprecificar os ativos imobiliários.
“Isso quer dizer que o mercado demonstra uma cautela. A valorização de 4% na micro área indica que o ‘prêmio’ pela nova sede ainda não foi totalmente precificado nos negócios”, aponta Lacerda.
Preço do metro quadrado ainda abaixo da média do Centro
O levantamento também mostra que os imóveis nos Campos Elíseos continuam com preços inferiores à média do Centro de São Paulo.
Atualmente, o valor de venda na área localizada até um quilômetro da futura sede do governo permanece entre R$ 7.500 e R$ 8.500 por metro quadrado. Já a média da região central está em cerca de R$ 11.000 por metro quadrado.
Essa diferença sugere potencial de valorização para o bairro, especialmente caso os projetos de transformação urbana avancem.
Entre as iniciativas previstas estão a instalação da nova sede administrativa do governo estadual, além de promessas de construção de um parque público e de uma estação de trem na região.
Segundo Lacerda, a evolução dos preços de venda dependerá diretamente da execução dessas intervenções.
“A expectativa é que haja aumento no preço de venda na medida em que houver concretização das mudanças no centro, porque isso vai dar mais confiança de que a revitalização é real”, estima.
Para o mercado imobiliário, o movimento reforça um padrão comum em processos de requalificação urbana. O mercado de locação reage primeiro às expectativas de mudança, enquanto investidores e compradores de ativos de maior valor aguardam sinais concretos de transformação antes de impulsionar os preços de venda.