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06/08/2026

Em Pinheiros, escritórios ‘pegam mais preço’ que apartamentos – Metro Quadrado

A locação de escritórios em Pinheiros está tão aquecida que os preços dos prédios corporativos estão subindo mais rápido do que os dos imóveis residenciais.

Por Rafael Balago

Segundo dados da Binswanger, o valor médio do aluguel em edifícios comerciais A+/A aumentou 18,1% ao longo dos últimos quatro anos, para R$ 142,78 por metro quadrado.

Já o preço médio de venda dos residenciais, no mesmo período, subiu 7,3%, para R$ 24,8 mil por m².

As razões para essa diferença passam pela oferta e demanda.

Do lado corporativo, o aumento da procura por escritórios ocorreu principalmente depois da pandemia, impulsionado pela escassez de espaço e pelos preços altos na Faria Lima, que têm levado as empresas a buscarem opções mais baratas. 

No segundo tri, Pinheiros liderou em volume de locações de escritórios na cidade, com 44 mil m² de absorção líquida, puxado por um contrato da Amazon, que absorveu 39.229 m² no edifício Biosquare, na avenida Rebouças. 

“Pinheiros está mudando de perfil: deixou de ser um espaço de escritórios menores para se tornar um local de empresas grandes, com enorme volume de funcionários,” Paulo Izuka, o diretor de Ativos e Produtos da Urban Systems, empresa do Grupo Binswanger, disse ao Metro Quadrado. 

O bairro tem interessado especialmente empresas dos setores de tecnologia e finanças, que juntos alugam 81% dos escritórios dali. 

As empresas de TI possuem 66,2 mil m² de lajes corporativas no bairro, e o setor financeiro, 57,3 mil. Amazon, Nubank, WeWork e Stone são os maiores ocupantes.

O mercado tem atendido a esta demanda e aumentado a oferta. No segundo tri, o estoque total de escritórios nível A+/A no bairro atingiu 220.101 m².  

Ao mesmo tempo, a vacância caiu de 13,2% para 8,7% na comparação entre o primeiro e o segundo tri, e o preço médio subiu de R$ 138,39 para R$ 142,78 por m².

Do lado residencial, a relação entre a oferta e a demanda anda menos alinhada.

A Binswanger aponta que o bairro teve um grande volume de lançamentos nos últimos anos, o que ajuda a manter os preços mais contidos.

Em 2025, por exemplo, foram lançadas 3.254 unidades residenciais, o maior valor da série histórica. 

Atualmente, há R$ 590 milhões em VGV de estoque pronto em Pinheiros. A consultoria estima que será preciso 7,4 meses para zerar esse esto (...)

Em Pinheiros, a maioria dos novos apartamentos é de estúdios ou de um dormitório, que representaram em torno de 70% dos lançamentos nos últimos anos.

Com isso, famílias em busca de moradias amplas encontram opções mais atraentes em outros bairros, como o Ipiranga, onde o custo do m² é menor.

No bairro da zona oeste, as unidades abaixo de 35 m² custam, em média, R$ 20,3 mil por m².  No caso dos apartamentos acima de 200 m², esse valor sobe para R$ 31,5 mil.

“Pinheiros tem um perfil de apartamentos para quem trabalha e para investimento, como Airbnb e locação. Consequentemente, há uma procura maior por espaços menores,” diz Izuka.

Para os próximos anos, a expectativa é que o desempenho dos dois segmentos siga aquecido, pois Pinheiros ainda tem terrenos e casas que podem ser incorporadas, enquanto regiões como Paulista e Faria Lima possuem poucas áreas para novos projetos. 

“O mercado de escritórios tem uma demanda muito alta, e o estoque que está vindo em Pinheiros provavelmente vai ser rapidamente endereçado,” afirma Izuka.

No segmento residencial, há também um grande estoque a caminho, com um pico previsto para 2028, ano em que 2.805 unidades devem ser entregues. Em 2025, foram 1.014.

Para entrega em 2029, há 1.615 unidades previstas, mas 60% estão, até agora, sem comprador. 

FONTE: METRO QUADRADO