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28/01/2026

Com queda da Selic no radar, Abecip projeta crescimento de 15% no crédito imobiliário – IstoÉ Dinheiro

Abecip diz que, mesmo com juros altos, pleno emprego segurou mercado imobiliário em 2025; associação agora vê novo fôlego, mantendo ritmo pós-liberação de compulsório e recursos livres

De olho em uma Selic que deve começar a cair nesta ou na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) espera uma redução dos efeitos negativos dos juros em patamares historicamente altos ao longo do ano, mantendo o cenário positivo do fim de 2025, com os R$ 38 bilhões da liberação do compulsório da poupança.

Priscilla Dias Ciolli, presidente da Abecip, diz à IstoÉ Dinheiro que o panorama fez o setor voltar a crescer com movimentos de redução de taxa ao cliente final.

“A questão é que esse fôlego ele tem um tempo de duração. Então, a expectativa é que a gente consiga manter essas condições e pleno crescimento ao longo de 2026, se realmente a Taxa Selic começar a ser cortada. Isso vai contribuir para que a gente possa manter o patamar de juros já praticado esse no final desse ano, e conseguirmos manter a expectativa de crescimento de 15% do mercado”.

A executiva destaca que, no ano de 2025 a taxa de juros foi detratora do ramo, que ‘não cresceu o tanto que poderia ter crescido’ por conta das condições de financiamento que afetaram especialmente a classe média.

Em linhas gerais, condições de financiamento do Minha Casa, Minha Vida, ‘subsidiam muito’ a população de renda mais baixa, ao passo que a alta renda não sente tanto os efeitos das condições de financiamento mais duras.

Ciolli chama atenção para o fato de que a razão entre o crédito imobiliário e o PIB no Brasil é relativamente baixa, na casa dos 10%, ao passo que em outras geografias o percentual ultrapassa 20% (Chile, África do Sul) ou até 40% (EUA, Alemanha).

“É um número que a gente sabe que pode ser muito maior quando a gente olha os demais países, que tem ali na casa de 20%. Para isso ser possível, a gente precisa realmente operar em juros de dígito percentual no mercado, e também discutir parte de subsídios que hoje já existem e todos esses outros mercados e países também operam em subsídio e com taxas de um dígito.”

Pleno emprego amorteceu parcialmente alta da Selic

Em linha com a visão de executivos do ramo, a presidente da Abecip pontua que o ano de 2025 foi desafiador por conta dos juros altos, mas que o crescimento da massa salarial e o patamar de pleno emprego frearam parte dos danos.

“Sentimos muito a alta da Selic, mas esse efeito só não foi ainda mais relevante porque a gente teve indicadores muito importantes de pleno emprego, de renda, que facilitaram essa passagem por esse período”, afirma.

“Mesmo com todo esse desafio de altas taxas, a gente conseguiu manter um crescimento bastante sustentável ao longo de 2025”, complementa.

Inadimplência em queda e estruturas de funding

Acerca de inadimplência, os indicadores mostram os menores níveis dos últimos 20 anos, o que reflete ‘uma evolução muito bem estruturada do mercado’, na percepção da associação.

Olhando para os números de financiamento imobiliário total, considerando pessoa física e jurídica, foi registrado crescimento de 3% em relação ao ano anterior.

As condições de financiamento tiveram alterações, com o FGTS saltando 10%, para R$ 702 bilhões, enquanto Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) caiu 1% para R$ 766 bilhões.

“O mercado de incorporadoras encontrou outros caminhos que não o subsídio da poupança para viabilizar o financiamento. (…) tivemos mais de 310% do crescimento em recursos livres que foi direcionado principalmente para o financiamento da pessoa jurídica.”

FONTE: ISTOÉ DINHEIRO