Por André Ítalo Rocha
Um levantamento feito pela Felicità Imóveis, uma das maiores imobiliárias da região, mostra que as negociações em BC e na vizinha Itajaí (onde está a disputada Praia Brava) estão mais arrastadas em 2026, levando 90 dias em média para serem fechadas, mais de quatro vezes o prazo de dois anos atrás, de 20 dias.
Como boa parte do público é formado por investidores, a comparação com o retorno do CDI tem pesado mais do que nunca, e por isso os compradores estão levando mais tempo para decidir, pedindo mais descontos e melhores condições de pagamento.
“O mercado financeiro é o nosso principal concorrente,” Brayann Germano, o fundador da Felicità, disse ao Metro Quadrado.
Ele diz que o nível de estoque em BC e Itajaí ainda está saudável, representando menos de 2% do tamanho da população, mas não há quem resista a uma Selic tão elevada por tanto tempo.
“É preciso escolher muito bem o imóvel para que compense em comparação ao que a Selic está pagando.”
Segundo ele, a piora no agro também tem castigado o mercado, já que muitos dos investidores vêm do Centro-Oeste, onde as safras estão mais baratas, e os custos de produção, mais altos.
“O Mato Grosso, por exemplo, era o nosso terceiro maior comprador. Agora, está em quinto,” disse Brayann.
O mercado de BC tem crescido desde o início dos anos 2000, com projetos cada vez mais altos, mas o boom mesmo ocorreu na pandemia, quando a Selic caiu a 2% e muita gente passou a alimentar o desejo de ter uma segunda residência na praia.
Foi nesse período que a Felicità nasceu, em 2022, acumulando R$ 1,2 bi de VGV desde então.
Até 2024, o cenário era tão mais favorável que as grandes incorporadoras nem aceitavam outros imóveis ou um carro como parte do pagamento. O parcelamento aceito era de no máximo 72 ou 84 vezes.
Agora, as companhias estão voltando a aceitar imóveis e carros como permuta, e ampliaram o prazo de pagamento para 100 vezes ou mais. E algumas estão até dispensando a entrada.
Desconto, antes, nem pensar. Se alguém quisesse comprar, tinha que aceitar o preço de tabela. Agora, o choro dos compradores já rende abatimentos de pelo menos 15%, segundo Brayann.
“Quem está comprando está conseguindo espremer quem está vendendo,” ele disse.
Há exceções. Projetos emblemáticos como o Senna Tower, da FG, o Tempo, projetado pelo Foster+Partners na Praia Brava, e o All Wert, em Porto Belo, ainda têm uma boa demanda, mas já há uma disposição maior das incorporadoras para negociar.
Um possível ponto de virada (para o mercado imobiliário como um todo, não apenas BC) é o segundo turno das eleições.
O resultado favorável a Flávio Bolsonaro no primeiro turno não gerou uma onda de novos negócios, mas há incorporadoras que já estão se preparando para atualizar suas tabelas de preços em novembro, se houver uma confirmação no segundo turno da vitória do candidato do PL, visto como um nome que deve provocar uma redução maior dos juros.
O interesse é surfar a empolgação inicial do público com uma melhora do mercado, mas, entre corretores, há o temor de que o aumento dos preços acabe assustando a demanda.