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19/05/2026

Venda de imóvel com desconto cresce e chega a 67% das transações, diz FipeZap - Portas

Negociação avança como tática para destravar negócios; expectativa de alta de preço desacelera

Por Hugo Passarelli

A venda de imóvel com desconto cresceu no Brasil e atingiu 67% das transações no primeiro trimestre de 2026, segundo a pesquisa Raio-X FipeZAP. O percentual avançou em relação aos 61% registrados um ano antes e se aproximou do maior nível já observado na série histórica, de 70%.

De acordo com a FipeZAP, o avanço da venda de imóvel com desconto indica que a negociação entre compradores e vendedores segue com papel importante para viabilizar negócios, mesmo em um cenário de expectativas ainda positivas para os preços dos imóveis. O desconto médio foi de 9% considerando todas as transações realizadas e de 13% nas operações em que houve abatimento sobre o valor anunciado.

Ao mesmo tempo, a participação de compradores na amostra da pesquisa subiu de 10% para 12% entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre deste ano, e empatou com o percentual de um ano atrás. Com isso, essa métrica voltou a um patamar acima da média histórica do levantamento, de 11%. Pela metodologia, é classificado como comprador o respondente que informa ter adquirido um imóvel nos últimos 12 meses.

Entre o 1º trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, a parcela dos respondentes que classificaram os preços dos imóveis residenciais como altos ou muito altos oscilou de 73% para 72% da amostra, enquanto aqueles que avaliavam os preços atuais como razoáveis passaram de 17% para 18%.

Já para os próximos 12 meses, aumentou a cautela sobre a percepção de aumento de preços. A proporção daqueles que projetavam alta nominal do valor dos imóveis recuou de 43% para 38% entre os três primeiros meses de 2025 e 2026. No mesmo intervalo, a parcela que esperava estabilidade cresceu de 25% para 27%, enquanto o grupo que projetava queda oscilou de 11% para 10%. Os que não souberam opinar passaram de 22% para 26%.

Em termos de variação esperada, a expectativa média indicou alta nominal de 2,5% nos preços dos imóveis residenciais nos próximos 12 meses, uma queda em relação ao nível de 3,2% um ano antes, segundo o levantamento. O dado representa uma média das opiniões de três grupos: compradores recentes, compradores em potencial (pretendem adquirir) e proprietários.

Historicamente, os compradores recentes projetam aumento mais intenso de preço (6,1% na última medição) e os compradores em potencial, alta menor (1%). Mesmo o primeiro grupo tem adotado um otimismo mais moderado: há um ano, esperava aumento de 5,2% no preço, mas este percentual já foi de 8,2% em igual período de 2024.

Imóvel usado mantém preferência

A pesquisa também mostra que o mercado continua sendo puxado majoritariamente pela demanda por moradia. Entre os compradores que adquiriram imóveis nos últimos 12 meses, 60% disseram ter comprado para morar, enquanto 40% classificaram a aquisição como investimento.

Entre os que mencionaram a finalidade “investimento”, o interesse na geração de renda com o aluguel do imóvel (58%) predominou sobre a intenção de revenda após sua valorização no mercado (42%).

Os imóveis usados permaneceram como preferência dominante entre os compradores, respondendo por 77% das aquisições recentes, um avanço de 8 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Os imóveis novos diminuíram a participação em igual proporção, para 23% das aquisições.

FONTE: PORTAS