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10/07/2026

Venda de cimento cresce 2,3% no país no 1º semestre – Valor Econômico

No mês passado, foram vendidas 5,8 milhões de toneladas de cimento, um crescimento de 7,7% sobre junho de 2025

Por Ana Luiza Tieghi

A venda de cimento cresceu 2,3% no país no primeiro semestre, com a comercialização de 32,9 milhões de toneladas do material, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic).

A entidade projeta que o ano vá terminar com um aumento de 2% nas vendas, menor do que as variações de 2025 e de 2024, que bateram 3,7% e 3,9% de crescimento.

O dado semestral foi puxado por um mês de junho forte. No mês passado, foram vendidas 5,8 milhões de toneladas de cimento, um crescimento de 7,7% sobre junho de 2025. “Tivemos o melhor junho da nossa história, desde 1950”, afirma Paulo Camillo Penna, presidente do Snic.

O despacho por dia útil cresceu 3% no mês, para 253,6 mil toneladas.

No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas atingiram 67,7 milhões de toneladas, 2,9% superiores ao mesmo período do ano passado. A capacidade de produção instalada no país é de 109 milhões de toneladas ao ano, de acordo com o sindicato. “Há disponibilidade de oferecer produto ao mercado sem nenhum tipo de sobressalto, ainda que eventualmente tenham estímulos grandes [à produção]”, afirma Penna.

A região Sudeste, que consumiu 45% do cimento vendido de janeiro a junho, teve o pior desempenho na comparação anual, com leve recuo de 0,1% nas vendas.

Já o Nordeste foi campeão de crescimento, tendo comprado 7,8% mais cimento do que no primeiro semestre de 2025. “Não só o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mas edificações de modo geral estão ganhando muito terreno no Norte e Nordeste. Muitas empresas estão indo do Sudeste para o Nordeste, é um mercado promissor”, afirma Penna. A região é a segunda maior consumidora de cimento, absorvendo 22% do total vendido.

A região Norte teve o segundo maior crescimento em um ano, de 3,9%. No Sul, o avanço foi de 2,5%. No Centro-Oeste, de 1,1%.

O MCMV é um dos principais motivos para o crescimento do setor, de acordo com o Snic, por manter a construção civil aquecida.

Há preocupações, porém, com a capacidade de compra dos consumidores - cerca de dois terços do cimento é vendido ensacado, em geral para pessoas físicas - diante do maior endividamento das famílias.

A entidade deve divulgar em novembro sua projeção para 2027, mas Penna adianta que uma queda está mais provável, após os anos de alta consecutiva.

Para as cimenteiras, pesa o aumento do custo de produção, causado pela inflação do frete marítimo e rodoviário e também do petróleo, como reflexo da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Após semanas de aparente calma, uma nova investida de Donald Trump pode afetar novamente esses custos.

O Snic estima um incremento de 13% no custo de produção em decorrência do conflito.

A entidade também se posiciona contra o fim da jornada 6x1 e projeta um incremento de 15% nos custos trabalhistas se a mudança for aprovada. “A indústria de base funciona 365 dias por ano, 24 horas por dia”, afirma Penna.

FONTE: VALOR ECONôMICO