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09/01/2026

Variação média do aluguel registrou em 2025 o maior patamar em 6 anos, diz FGV – Valor Econômico

Segundo o economista Matheus Dias, da fundação, os sinais do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) são de que a variação nos preços de locação deve continuar a acelerar em 2026

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) encerrou 2025 com alta média anual de 8,85%, informou nesta quarta-feira (7) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa anual desde o lançamento do indicador em 2019, informou Matheus Dias, economista da fundação. Ao mesmo tempo, o Ivar mensal, referente a dezembro, subiu 0,51%, após avançar 0,37% em novembro.

No entendimento de Dias, os sinais do índice, até dezembro, são de que a variação de locação deve continuar a acelerar, em 2026. Isso porque os fatores que conduziram aos aumentos não devem desaparecer rapidamente este ano, admitiu o economista.

Ao comentar sobre as evoluções do Ivar ao longo de 2025, bem como de dezembro do ano passado, o especialista disse que foram impulsionadas por um aluguel mais caro em São Paulo, uma das quatro capitais usadas para cálculo do índice - a evolução dos preços de locação na cidade tem maior peso no cálculo do indicador, explicou. No ano passado, o Ivar na capital paulista subiu 9,5%, contra expansão de 5,5% em 2024. No último mês de 2025, o indicador avançou 0,65%, ante 0,52% em novembro do ano passado.

Elevado custo da construção

Dias explicou que, assim como em todo o país, o mercado de São Paulo tem mostrado elevado ritmo de lançamentos residenciais. Segundo ele, os novos empreendimentos têm sido majoritariamente de imóveis menores, mas com um valor de metro quadrado elevado. O técnico ponderou que mesmo com lançamentos em alta - o que, em tese, elevaria a oferta residencial e reduziria os preços do aluguel -, o preço da locação não cai, influenciado pelo metro quadrado mais caro desses novos projetos residenciais.

Outro aspecto apontado por ele é o fato de que o custo de construção subiu muito no ano passado, principalmente o custo de mão de obra. Isso acaba também por influenciar, para cima, a formação do preço de locação para novos empreendimentos, notou.

Efeito da Selic

Além disso, salientou, não é possível esquecer a continuidade do patamar elevado dos juros. Atualmente, a Selic, taxa básica que norteia os juros de mercado, opera em 15% ao ano, maior patamar desde 2006. Esse contexto torna financiamentos, como o imobiliário, mais caros. Com isso, inquilinos adiam por mais tempo o "sonho" da casa própria e continuam a pressionar a procura por aluguel. Esse quadro, de demanda mais alta por locação, ajuda a impulsionar a variação do aluguel, salientou.

Outra capital a pressionar para cima o desempenho do Ivar foi Belo Horizonte, acrescentou Dias. Na cidade mineira, o Ivar subiu de 10,27% para 11,27% de 2024 para 2025, com aceleração de 0,39% para 1,11% de novembro a dezembro. A localidade também tem contexto de mercado imobiliário similar ao de São Paulo, explicou ele.

Outras duas capitais usadas para o cálculo do índice mostraram aumento mais intenso na variação média anual entre 2024 e 2025. É o caso de Rio de Janeiro, onde o Ivar variou de 6,16% para 12,11%, e Porto Alegre, de 3,32% para 12,64%. De novembro a dezembro do ano passado, o Ivar na capital fluminense desacelerou de 1,13% para estabilidade, e passou de -0,37% para 0,35%, na capital gaúcha.

Na análise do economista, devem persistir, em 2026, os mesmos fatores que levaram a médias mais elevadas de variação na locação, tanto na comparação anual, quanto na comparação mensal, em 2025. Isso porque o especialista não acredita em desaceleração no ritmo de lançamentos do mercado imobiliário, principalmente em São Paulo, nem em queda brusca de juros de mercado, ao longo do ano. Ou seja, tudo leva a crer que a variação do aluguel deve continuar elevada neste ano, reconheceu Dias.

“A tendência é que tenhamos aceleração [de variação de aluguel] em 2026”, resumiu o técnico, ao acrescentar que isso, na prática, também deve conduzir a novas acelerações no Ivar.

FONTE: VALOR ECONôMICO