Por Larissa Vitória
Dados da Cushman & Wakefield mostram que o indicador caiu 15% no ano passado em escritórios classe A na capital paulista, para 147,9 mil metros quadrados, depois de um pico provocado pelo retorno das companhias ao modelo presencial.
Segundo a consultoria, a demanda se concentrou nas chamadas regiões “secundárias” da cidade, onde ainda há disponibilidade de prédios mais modernos, um tipo de oferta que ganhou relevância no pós-pandemia, com as empresas buscando espaços mais confortáveis e portanto com mais condições de atrair os funcionários.
Com a Faria Lima e adjacências sem espaço e com preços no patamar de R$ 300 por m², as empresas começaram a olhar para praças alternativas como a Chucri Zaidan e Pinheiros – onde os valores ainda estão abaixo dos R$ 200 e os imóveis são mais novos.
Além disso, o ritmo de entregas de empreendimentos também diminuiu. A cidade recebeu 49,9 mil m² de novo estoque em 2025, uma queda de 35%.
“O mercado evoluiu em direção a um desenvolvimento mais disciplinado, reduzindo o risco de excesso de oferta e proporcionando maior previsibilidade para a evolução futura,” disse a Cushman.
Hoje há 260,5 mil m² em construção na cidade, mas apenas 82,7 mil m² em planejamento, o menor nível entre as sete capitais da América Latina monitoradas - atrás apenas do Rio de Janeiro e Lima, no Peru.
A cautela é justificada pelo cenário macroeconômico que assolou o mercado imobiliário nos últimos anos.
Os juros altos levaram investidores a colocarem os projetos de escritórios na gaveta para apostarem em segmentos como o de galpões logísticos e residenciais de alto padrão, que se mantiveram pujantes mesmo em meio ao ciclo de aperto na Selic.
A queda na absorção líquida em São Paulo acompanha a tendência observada pela consultoria na América Latina.
Na região, o indicador teve queda de 12,7%, para 543 mil m², um movimento que a consultoria entende que é uma desaceleração em relação aos picos recentes do mercado de escritórios.
“Essa variação se deve principalmente a uma normalização das atividades após um ano excepcionalmente forte em alguns mercados, especialmente na Cidade do México, bem como a uma moderação do ritmo de ocupação em São Paulo e no Rio.”
Por outro lado, o estoque menor e a vacância ainda em queda em São Paulo - a taxa recuou 3,5 pontos percentuais, para 12,8% em 2025 - têm levado o nível de pré-locação para níveis recordes na cidade.
Esse combo também segue impulsionando os aluguéis, que subiram 20,4% na base anual e alcançaram US$ 26,3 por m² - o maior patamar do levantamento da Cushman na América Latina.