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29/04/2026

Ocupação de torres corporativas sobe e setor vive momento de ‘equilíbrio’ - Estadão

Taxa de vacância em São Paulo recuou para 12,8% da área total disponível para comercialização

Por Circe Bonatelli (Broadcast)

Os espaços vagos nos prédios de escritórios caíram no começo deste ano na cidade de São Paulo, confirmando o ciclo de recuperação do setor. A vacância recuou para 12,8% da área total disponível para comercialização no primeiro trimestre de 2026, após fechar em 13,8% no fim de 2025 e em 19,4% no fim de 2024, de acordo com levantamento da consultoria imobiliária Binswanger Brazil. “A absorção de áreas, por meio da locação das propriedades, foi surpreendente nos últimos anos”, afirmou a diretora-geral da consultoria, Simone Santos.

No auge da pandemia, entre 2020 e 2021, muitas empresas devolveram seus escritórios. A partir de 2022, começou um movimento de volta, mas que demorou a emplacar. As empresas levaram um tempo para tomar a decisão de retornar ao presencial e expandir seus negócios. Já nos anos de 2024 e 2025, a procura por novas áreas acelerou, incluindo aí empresas que fazem a locação de vários andares ou até mesmo prédios inteiros de uma só vez.

Há também uma mudança de comportamento, com redução do home office e do modelo híbrido - em que o expediente é dividido com alguns dias em casa, outros no escritório. “A volta do funcionário ao escritório tem sido a principal razão para a recuperação do mercado”, ressaltou Melissa Spinelli, diretora de Escritórios da Binswanger Brazil. O crescimento da economia brasileira e da atividade empresarial também compõe um quadro favorável para o setor.

Uber e Shopee lideraram aluguéis

A maior locação no primeiro trimestre foi feita pela Uber, que acertou 12,6 mil metros quadrados no Prédio JK Square, mais que um campo de futebol. A segunda maior foi da Shopee, que alugou 7 mil metros quadrados no Birmann 32, mais conhecido como “o prédio da baleia” devido à escultura existente no jardim. No primeiro trimestre, as locações na capital paulista totalizaram 75 mil metros quadrados, já descontadas as áreas devolvidas no período.

A taxa de vacância de 12,8% indica também um mercado mais equilibrado para proprietários e inquilinos. Ou seja: não há espaços vagos em excesso, o que faria os aluguéis despencarem; tampouco faltam escritórios, o que provocaria uma disparada nos valores. A Binswanger Brazil projeta que a vacância ficará abaixo de 15% até 2027, mantendo o equilíbrio do mercado, dada a melhora estrutural verificada até aqui.

A projeção, entretanto, é uma média do setor. Regiões como Faria Lima, Itaim, Juscelino Kubitschek e Paulista têm vacância abaixo de 8%, o que já representa escassez de áreas para empresas interessadas em locação. Por sua vez, Chácara Santo Antônio e Santo Amaro têm vacância acima de 30%, com muitos prédios vazios.

A maior ocupação dos edifícios, na média, foi acompanhada por uma recuperação dos aluguéis, o que anima os investidores destes tipos de propriedade. O valor médio do metro quadrado para locação chegou a R$ 130 no primeiro trimestre, subida de 7% na comparação com o fim do ano passado. Os preços foram puxados pelas regiões onde já faltam escritórios. Na Faria Lima, a média dos aluguéis por metro quadrado está em R$ 303, com picos de R$ 415. “Quem alugou um prédio por valores muito baixos na época da pandemia agora vai ter que lidar com revisional do aluguel”, observou Melissa.

FONTE: ESTADãO