A ocupação de lajes de alto padrão para escritórios atingiu o maior nível desde 2016, ultrapassando os recordes registrados em 2018 e 2019, período pré-pandemia e que antecedeu a entrega de milhares de metros quadrados de imóveis em bairros de elite nas zonas oeste e sul de São Paulo.
Dados analisados pela consultoria de mercado SiiLA mostram que a absorção líquida de metros quadrados do ano passado ficou em 215,5 mil. Esse indicador mostra a diferença entre o que foi devolvido e que foi locado. A taxa de vacância ficou em 16,28%, acima apenas dos 16,09% registrados em 2019.
A análise da SiiLA considera 3,7 milhões de metros quadarados de escritório padrão A e A+ nas regiões premium da capital paulista, o chamado CBD (Central Business District), que inclui Berrini, Chácara Santo Antônio, Chucri Zaidan, Faria Lima, Itaim Bibi, JK, Marginal Pinheiros, Paulista, Pinheiros, Santo Amaro e Vila Olímpia.
O movimento é puxado por uma onda de retorno ao trabalho 100% presencial em empresas de diversos segmentos. Em algumas casos, só uma coisa impediu o fim do trabalho híbrido ou remoto -a falta de espaço pronto.
Ao menos duas gigantes, Netflix e Amazon, fecharam em 2025 pré-locações em edifícios que ainda não estavam entregues. A empresa de streaming fechou com OPI-07, na Rebouças, em Pinheiros, onde deverá ocupar mais do que o dobro do que mantém locado no Faria Lima Square, na região de mesmo nome, e em Barueri, na Grande São Paulo.
A Amazon também deverá concentrar seu pessoal em um único escritório, também em Pinheiros, no Biosquare, que ainda não está pronto. Hoje a empresa tem parte de sua operação no complexo JK, junto ao shopping de mesmo nome.
No setor de incorporação, a adoção de rotinas híbridas com mais dias presenciais é vista como questão de tempo. Há alguns meses, o anúncio de que o Nubank iniciaria, neste ano, a transição de trabalho remoto para o híbrido gerou mal-estar entre funcionários e resultou até em demissões após uma reunião virtual para discutir assunto.
Essas empresas não estão sozinhas. Petrobras, Mercado Livre, Itaú e Correios mudaram regras internas e intensificaram o retorno ao presencial.