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09/04/2026

Novo modelo de funding deve impulsionar crédito imobiliário em 2026, dizem executivos – Valor Econômico

Na prática, essa mudança exige que os bancos combinem diferentes fontes para financiar suas carteiras, em um cenário de descasamento entre o crescimento do crédito e a evolução da poupança

Por Lais Godinho

As mudanças recentes no funding do crédito imobiliário, com menor dependência da poupança e maior uso de captações de mercado, devem sustentar o crescimento do setor em 2026, avaliaram executivos em painel da 12ª edição do Brazil Investment Forum, do Bradesco BBI.

“Hoje, cada vez mais, você conta menos com a poupança”, disse Romero Albuquerque, diretor de crédito imobiliário do Bradesco. Segundo ele, esse espaço vem sendo ocupado principalmente por Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que acompanham as taxas de juros de longo prazo.

Na prática, essa mudança exige que os bancos combinem diferentes fontes para financiar suas carteiras, em um cenário de descasamento entre o crescimento do crédito e a evolução da poupança. “As carteiras imobiliárias crescem praticamente dois dígitos por ano e a poupança ou involui ou deixa de sangrar mais”, afirmou Albuquerque.

Para este ano, a expectativa é positiva. “A gente prevê este ano, na média, 15% maior do que foi 2025”, avaliou o executivo, destacando que a tendência é de aceleração ao longo dos próximos meses.

Do lado da Caixa Econômica Federal, Roberto Ceratto também indicou um cenário de expansão, apoiado na diversificação das fontes de recursos. “Tivemos um crescimento importante [em 2025]. Eu acho que foi um ano de construção, onde a gente conseguiu novas fontes de recursos”, afirmou.

Segundo ele, mesmo com juros elevados, o crédito imobiliário mostrou resiliência, sustentado pela demanda por moradia e pela adaptação do setor. “Existe uma necessidade por parte das pessoas que veem ainda um potencial e até uma garantia do investimento em ter a casa própria”, disse.

O novo modelo de funding também traz implicações para a gestão dos bancos. “Vai demandar das tesourarias dos bancos um ALM [Gestão de Ativos e Passivos] muito mais complexo”, afirmou Albuquerque.

Isso porque o crédito imobiliário é de longo prazo, enquanto as novas fontes de financiamento tendem a ter prazos menores e custos atrelados ao mercado. Além disso, parte desse funding deixa de acompanhar todo o contrato e precisa ser renovada ao longo do tempo, o que exige dos bancos uma gestão mais ativa para casar prazos e custos das operações.

Apesar disso, o crédito imobiliário segue estratégico. Na Caixa, a expectativa é de avanço relevante. “A expectativa nossa é de ser o melhor ano da história do crédito imobiliário na Caixa, e possivelmente no país”, afirmou Ceratto.

Segundo o executivo, a projeção está apoiada principalmente na ampliação relevante do orçamento para crédito imobiliário em 2026 e na diversificação das fontes de recursos. A Caixa prevê R$ 144 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), R$ 30 bilhões do fundo social e aumento do funding via poupança, com orçamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) passando de R$ 64 bilhões no ano passado para R$ 97 bilhões neste ano.

Além disso, o banco adotou medidas para destravar a originação, como mudanças nas condições de financiamento no SBPE, incluindo elevação de limites, o que já impulsionou o desempenho no início do ano.

“Nós tivemos a questão da possibilidade do segundo imóvel, a elevação do teto, possibilitamos o retorno do SFI [Sistema de Financiamento Imobiliário]. Então, todas essas medidas trouxeram um incremento bastante importante nesse primeiro trimestre”, contou. “Olhando para este ano, os problemas que a gente teve no ano passado já ficaram para trás e a gente começou de forma muito acelerada.”

 

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FONTE: VALOR ECONôMICO