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12/05/2026

Novo modelo de crédito imobiliário deve ampliar diferença de taxas de juros por renda, diz diretor do BC – Valor Econômico

Segundo Gilneu Vivan, essa abertura já começou a aparecer desde novembro do ano passado e chegou a cerca de 0,4%, com juros relativamente menores para os grupos de renda mais baixa

Por Giordanna Neves

O diretor de regulação e organização do sistema financeiro e fesolução do Banco Central (BC), Gilneu Vivan, afirmou nesta segunda-feira (11) que a autoridade monetária espera ver uma diferenciação maior nas taxas de juros de crédito imobiliário entre famílias de maior e menor renda no novo modelo de financiamento da casa própria. Segundo ele, essa abertura já começou a aparecer desde novembro do ano passado e chegou a cerca de 0,4%, com juros relativamente menores para os grupos de renda mais baixa.

“A partir de novembro do ano passado, a gente começa a ver uma abertura dessa taxa. Se você comparar quanto as rendas menores estão pagando em relação às rendas maiores, você vê uma diferença aí de 0,4%, em uma taxa de 30 anos é um valor bem relevante. Então, o que a gente espera é isso, enxergar uma abertura nas taxas”, disse em live promovida pelo BC.

O diretor explicou que, historicamente, o crédito imobiliário no Brasil pratica taxas muito semelhantes, independentemente da faixa de renda do tomador. Segundo ele, famílias com renda de dois, três ou quatro salários mínimos acabam tendo um custo próximo aos cobrados de pessoas com renda acima de dez salários mínimos, por exemplo.

O novo modelo fará uma diferenciação conforme o valor do imóvel financiado. Imóveis de até R$ 1 milhão terão um benefício maior. Na faixa entre R$ 1 milhão e cerca de R$ 2,2 milhões, o benefício será menor, enquanto, acima desse valor, o incentivo será ainda mais reduzido. “Isso quer dizer o seguinte: que a gente vai começar a ver taxas de empréstimo diferentes, de acordo com o perfil do imóvel”, afirmou.

Ele disse ainda que o BC espera que o novo modelo de crédito imobiliário, que mudará a forma como a poupança é usada pelos bancos para financiar a aquisição da casa própria, garanta uma oferta maior e mais estável de crédito ao longo do tempo, além de manter as taxas em patamar igual ou inferior ao atual.

“Todas as simulações e cálculos fazem que a taxa fique igual ou menor do que a gente tem hoje. As taxas vão acompanhar mercado, mas é importante que não vai ter saltos como a gente viu no passado recente", acrescentou.

A expectativa, segundo ele, é fazer com que o crédito imobiliário no Brasil alcance entre 20% e 30% do PIB, patamar mais próximo ao observado em países de renda média. Hoje, esse percentual está em cerca de 6%.

Para isso, afirmou, o desafio será estruturar operações de crédito compatíveis com fontes de financiamento diferentes da Taxa Referencial (TR). Isso porque, diante da avaliação de que a poupança não cresce mais no mesmo ritmo, será necessário acessar outras fontes de recursos, especialmente no mercado de capitais, que opera com outra lógica de indexação. Em geral, os papéis são remunerados pela Selic, acrescida ou reduzida de um spread, enquanto a poupança permanece vinculada à TR.

“Isso é um desafio grande, mas a gente espera ter tempo para enfrentá-lo e ir desenhando esse processo. Eu acho que o maior desafio que a gente tem no crédito imobiliário hoje é esse, de construir um modelo de empréstimo que gere uma prestação previsível, mesmo que seja em outro indexador qualquer”, disse o diretor.

 

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FONTE: VALOR ECONôMICO