Por Ana Luiza Tieghi
A participação do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continua crescendo no total de lançamentos imobiliários realizados na cidade de São Paulo.
A pesquisa mensal mais recente do Secovi-SP, sindicato da habitação, aponta que, das 17,8 mil unidades lançadas em agosto, 77% pertenciam ao programa habitacional.
A pesquisa considera as faixas 1, 2 e 3 do programa, para imóveis de até R$ 400 mil, e exclui a faixa 4, que atinge imóveis de até R$ 600 mil.
O MCMV também respondeu por 71% das 10,8 mil unidades comercializadas no mês.
Isso se reflete no tamanho dos imóveis novos feitos na cidade: 64% das unidades vendidas e 66% dos lançamentos possuíam de 30 a 45 metros quadrados.
Como explica Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, o MCMV ganha terreno também por uma queda no segmento de médio e alto padrão.
Nos 12 meses até agosto, os lançamentos de unidades de médio e alto padrão recuaram 4% e as vendas caíram 17% na cidade, enquanto os lançamentos do MCMV subiram 43% e as vendas, 28%.
Como as unidades do MCMV são mais baratas do que as de médio e alto padrão, o valor total das unidades comercializadas em São Paulo tem recuado. Nos últimos 12 meses até agosto caiu 12,8%, para R$ 4,76 bilhões.
Wertheim analisa que o crescimento do programa habitacional deve desacelerar. “Acreditamos que vamos ter estabilidade nas vendas do MCMV, não deve continuar crescendo na mesma taxa, porque não faz sentido”, afirma, ponderando que a demanda por habitação pelo programa é “muito grande”.
Já para os imóveis de médio e alto padrão, a expectativa é que um mercado melhor só venha com uma queda significativa dos juros. “A economia para a classe média está muito difícil, com o endividamento das famílias, despesas altas”, afirma Wertheim. “Temos esperança de que, seja qual for o governo [eleito], ele vai ter que ter reduzir a taxa de juros, melhorando o fiscal”.
Segundo ele, enquanto isso, o segmento de médio e alto padrão continua vendendo, mas de forma mais lenta.
Estoque de imóveis cresce
Em São Paulo, o setor imobiliário tem lançado imóveis em maior volume do que tem conseguido vender.
Se em agosto de 2025 61,9% do que foi lançado era vendido em 12 meses, essa parcela caiu para 55,1% em agosto deste ano.
O resultado é um crescimento da oferta de imóveis na capital paulista, seja de unidades prontas, em construção ou ainda em fase de lançamento. São 98 mil unidades à espera de compradores, alta de 51% em um ano. Em valor, correspondem a R$ 70,58 bilhões.
Desse estoque, 60% das unidades são do MCMV, que respondem por apenas 24% do valor a ser comercializado.
O Secovi-SP estima quanto tempo essas unidades demorariam para ser vendidas, caso toda a nova produção na cidade fosse paralisada. Embora o número de unidades do MCMV em estoque tenha crescido, o tempo de escoamento está estável, em 8 meses. Já no segmento de médio e alto padrão o tempo estimado é de 13 meses, ante 11 meses no final de 2025 e 7 meses no final de 2024.