Por Lucas Moraes
O mercado imobiliário do Recife encerrou o primeiro semestre de 2026 com forte ritmo de crescimento. O número de unidades residenciais vendidas na capital pernambucana saltou de 2.927 para 4.397 imóveis - uma alta de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Valor Geral de Vendas (VGV) acompanhou a tendência positiva e somou R$ 2,171 bilhões, alta de 8% na comparação anual.
Os dados são de levantamento da GeoBrain, divulgado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC). O relatório engloba exclusivamente o município do Recife e reflete o papel da cidade como centro econômico e polo de serviços avançados do Norte-Nordeste.
Compactos e habitação econômica lideram vendas e lançamentos
O motor da expansão no semestre foi a demanda por imóveis compactos (studios) e do segmento econômico/Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Juntas, essas duas modalidades representaram 69% das unidades comercializadas na cidade.
Compactos tiveram o maior salto relativo, subindo de 402 para 1.144 unidades vendidas (+185%). Em valor comercializado, o VGV saltou de R$ 176 milhões para R$ 507 milhões (+189%).
Econômico (MCMV) registrou alta de 55% no volume vendido (de 1.210 para 1.872 unidades) e de 59% em VGV, alcançando R$ 479 milhões.
Médio e Alto Padrão (MAP) teve leve alta de 9% no volume de unidades (1.360 imóveis), mantendo a maior fatia financeira das vendas, com R$ 1,021 bilhão, apesar de um recuo de 6% em VGV.
Luxo (acima de R$ 5 milhões) registrou desaceleração pontual, passando de 71 para 21 unidades vendidas (70%), somando R$ 164 milhões (63%).
A nova oferta de imóveis seguiu o mesmo perfil de demanda. Das 3.818 unidades lançadas no semestre (+47%), mais de 80% concentraram-se em compactos (1.378 unidades; +504%) e padrão econômico (1.765 unidades; +103%). Em VGV total lançado, porém, houve um recuo geral de 5%, fechando em R$ 2,300 bilhões, impactado pela redução de novos empreendimentos nas faixas de médio, alto padrão e luxo.
Principais indicadores gerais:
Unidades vendidas: 4.397 imóveis no 1º sem/26 frente a 2.927 no 1º sem/25 (+50%)
VGV vendido: R$ 2,171 bilhões no 1º sem/26 frente a R$ 2,003 bilhões no 1º sem/25 (+8%)
Unidades lançadas: 3.818 imóveis no 1º sem/26 frente a 2.599 no 1º sem/25 (+47%)
VGV lançado: R$ 2,300 bilhões no 1º sem/26 frente a R$ 2,430 bilhões no 1º sem/25 (5%)
Retração no estoque e aceleração nas vendas
A forte velocidade de vendas refletiu diretamente na diminuição do estoque de imóveis prontos ou em construção na capital. Em junho de 2026, Recife contabilizava 6.492 unidades disponíveis, uma queda de 8% frente aos 7.071 imóveis registrados em dezembro de 2025.
Por outro lado, o valor total do estoque subiu 8% no mesmo intervalo, passando de R$ 4,027 bilhões para R$ 4,349 bilhões, puxado pelo aumento de preços e pela mudança na composição de unidades ofertadas.
A eficiência de comercialização da cidade é demonstrada pela taxa trimestral de Vendas Sobre Oferta (VSO), que atingiu 28% em junho de 2026 - uma alta expressiva de 6 pontos percentuais em relação a março de 2026 e de 8 pontos percentuais frente a junho do ano anterior (20%).
“A alta da VSO mostra que o mercado está aquecido, puxado principalmente pelos compactos e pelo padrão econômico, que concentraram cerca de 69% das vendas e mais de 80% dos lançamentos do semestre. Luxo teve uma queda acentuada no período, mas precisamos considerar que esse segmento teve um crescimento exponencial nos últimos anos. O que vale dizer que este mercado segue com boas perspectivas na capital pernambucana”, conclui Luiz França, presidente da ABRAINC.