Por Wesley Golsaves
Agora, são os escritórios que começam a ganhar tração como tese de investimento.
Nos melhores endereços do condado de Miami-Dade, há casos em que o preço de locação atingiu US$ 200 por pé quadrado, um recorde para a região.
Na média, os proprietários pedem cerca de US$ 150 por pé quadrado em edifícios triple A. Em prédios boutique, partem de US$ 80.
A valorização começou de forma mais tímida no início do pós-pandemia (quando o pé quadrado era negociado por menos de US$ 100) e ganhou tração após uma onda de expansão de empresas que abriram operações no sul da Flórida para acomodar milhares de funcionários que deixaram os grandes centros urbanos em busca de mais qualidade de vida e espaço.
Além disso, alguns empresários decidiram transferir as sedes de suas companhias para o condado de Miami-Dade, muitos buscando pagar menos impostos.
O caso mais emblemático é o de Ken Griffin, fundador da Citadel, que deixou Chicago para se instalar na região. A cidade espera a chegada de cerca de 3 mil executivos da Citadel.
O recorde recente também está ligado à baixa oferta de estoque novo. Mas diferentemente de Nova York, o sul da Flórida ainda dispõe de áreas capazes de sustentar novos polos de escritórios.
Esse mercado tem despertado o interesse de investidores brasileiros, que já estão habituados a investir em residenciais e agora têm ouvido de developers a tese de que a demanda por escritórios continuará aquecida, sustentando empreendimentos corporativos em novos endereços, mais acessíveis para empresas de médio porte.
Além da Brickell Avenue - a “Faria Lima” de Miami -, os projetos miram bairros como Wynwood e Design District, onde o custo de aquisição de terrenos ainda é considerado atrativo e poderia dar origem a uma espécie de “Vila Olímpia” Miami, disse um gestor brasileiro de fundo.
“Se me perguntassem quatro anos atrás se eu queria investir em corporativo em Miami, eu acharia que era loucura, porque não havia demanda. Agora começamos a avaliar com carinho, porque virou um novo destino,” disse outro gestor ao Metro Quadrado.
Embora o mercado da região ainda distante dos patamares praticados em Manhattan - onde os melhores edifícios superam US$ 300 por pé quadrado –, os entusiastas do sul da Flórida acreditam que a valorização ainda não atingiu seu limite.
Um dos pontos destacados nas conversas com investidores é de que muitas empresas ainda estão em processo de migração para o estado - e quem deixar a decisão para mais adiante deverá pagar mais caro pela locação desses espaços.
Para Carolina Lara, cofundadora da BR Nation e do Duek Lara Group, os proprietários já estão pondo no preço da locação o otimismo que eles têm com o futuro da região - e também por isso não estão dispostos a oferecer descontos nem a se comprometer com contratos longos.
“Eles não estão especulando. Eles estão capitalizados o suficiente para manter os imóveis vazios até que os preços atinjam um patamar maior,” disse.