Por Luana Franzão
"Pedal com atraso" é como o CEO da SiiLA, Giancarlo Nicastro, define as mudanças do movimento dos juros no mercado de escritórios. As decisões do Banco Central sobre a Selic (taxa básica de juros) levam 15 meses para provocar queda na ocupação de imóveis comerciais de São Paulo, segundo estudo da plataforma de dados para o setor imobiliário.
O estudo analisou dados trimestrais de 2015 a 2026, abrangendo escritórios A+, A e B em 12 regiões corporativas de São Paulo. Foram cruzados indicadores proprietários da SiiLA com séries do Banco Central, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Tesouro Nacional.
A correlação não comprova causalidade, mas a análise pode ajudar a explicar porque, mesmo com os juros em patamares altos, a vacância de imóveis (desocupação) nas principais regiões corporativas paulistanas cai. A absorção líquida de escritórios de alto padrão em São Paulo subiu para 118 mil m² no terceiro trimestre deste ano, o melhor resultado trimestral, conforme noticiado pelo Painel S.A.
O modelo da SiiLA projeta que a absorção bruta -total de área alugada ou ocupada num período, sem descontar o que foi devolvido no mesmo intervalo- ainda continuará crescendo. Hoje ela equivale a 9,4% do estoque acumulado em 12 meses; a projeção é que chegue a cerca de 10,9% no quarto trimestre de 2027.
Segundo a SiilA, a recuperação pode encontrar um mercado com oferta mais limitada do que a atual: para 2027 e 2028, estão previstos, em média, 117 mil m² de novos escritórios por ano, menos da metade da absorção líquida média anual de 268 mil m² registrada em 2024 e 2025.
O aperto é maior nas regiões com maior adensamento corporativo. Em regiões como Faria Lima, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Pinheiros, apenas 61 mil m² em novos imóveis estão previstos para os dois anos, pressionando os preços dos aluguéis.