Por Ana Luiza Tieghi
O mercado de imóveis novos teve um 2025 de avanço nos indicadores operacionais, com crescimento de lançamentos e de vendas, embora o ritmo do aumento dos lançamentos tenha superado o da comercialização, o que resultou em uma oferta maior de unidades disponíveis.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) divulgou seus dados anuais na segunda-feira (23). No país, os lançamentos cresceram 10,6% em 2025, para 453.005 unidades, enquanto as vendas subiram 5,4%, para 426.260 unidades. Em valor, os lançamentos atingiram R$ 292,3 bilhões, alta de 10,3%, já as vendas cresceram 3,5%, para R$ 264,2 bilhões.
A oferta final, que contabiliza os imóveis disponíveis para compra, subiu 6,2%, para 347.013 unidades, maior valor ao menos desde dezembro de 2020. Para escoar toda a oferta, seriam necessários 9,8 meses, ante 9 meses ao fim de 2024.
A região Centro-Oeste foi a única a apresentar queda em vendas e lançamentos, de 10,3% e 8,1%, na comparação com 2024. O Nordeste apresentou queda apenas nos lançamentos, de 3,3%, enquanto as vendas subiram 7,3%. Já o Sul teve o crescimento mais tímido, de 1,8% nos lançamentos e de 3,3% nas vendas.
O Sudeste, que responde por mais da metade dos lançamentos e das vendas no país, teve aumento de 20,8% e de 7,1% nos indicadores. A região Norte foi a que mais cresceu, percentualmente, com alta de 39,5% em lançamentos e de 14,3% em vendas.
Em entrevista coletiva para comentar os dados, o vice-presidente da Cbic, Celso Petrucci, lembrou que Norte e Nordeste passaram por uma revisão da curva de preços e de juros no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o que pode ter ajudado nos resultados, especialmente porque a proporção de unidades do programa no total de lançamentos, nessas regiões, é alto. No quarto trimestre, 69% dos lançamentos e 56% das vendas no Norte foram do MCMV. No Nordeste, a proporção ficou em 64% e 50%.
A Cbic também destacou que o preço do imóvel subiu 18,6% em um ano, de acordo com o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI- R), calculado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Como comparação, o IPCA avançou 4,26% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou acumulado em 6,1%, o que aponta para um ganho real de preço nas unidades.
Força do MCMV
O programa habitacional impulsionou os resultados do mercado imobiliário em 2025. Os lançamentos cresceram 13,5% no ano, e oscilaram de 47% a 53% de participação no mercado no ano passado.
As vendas cresceram 15,9%. Elas representaram de 44% a 49% de todas as unidades vendidas em 2025. A oferta final de unidades do MCMV avançou 17,6%. “O MCMV se consolida como um importante pilar do mercado”, afirmou Petrucci.
Segundo ele, é esperado que o desempenho do setor imobiliário em 2026, no geral, seja igual ao superior ao de 2025. “Temos aí mais alguns anos de crescimento, porque a necessidade de moradia, do primeiro imóvel, é muito grande”, disse.
Fábio Araújo, CEO da consultoria imobiliária Brain, que também participou da coletiva, fez a ressalva de que caso haja um crescimento em 2026, não será alto, por causa do avanço já registrado em 2025.
Expectativa para os balanços
Analistas do BTG Pactual preveem uma temporada de balanços positiva para as incorporadoras listadas, acompanhando a melhora nos indicadores de vendas e lançamentos. As empresas divulgam seus resultados do quarto trimestre a partir do dia 5 de março.
“Os dois segmentos (baixa renda e média/alta renda) apresentaram bom desempenho operacional, então esperamos que o “top line” [receita] siga crescendo (à medida que as obras evoluam) e as margens permaneçam sólidas”, afirmaram, em relatório publicado no domingo (22).
“Nós esperamos que as companhias de baixa renda continuem sendo o destaque no quarto trimestre, enquanto as empresas de médio e alto padrão devem apresentar alguma desaceleração (apesar de ainda ser uma performance razoável)”, escreveram.