Segundo levantamento da Lello Imóveis, o setor vive uma mudança estrutural em São Paulo, marcada pela ascensão da moradia flexível, protagonismo dos imóveis compactos e um consumidor mais digital e cada vez mais exigente. “Quem compra busca estabilidade, investimento e construção de patrimônio, valorizando segurança e personalização. Quem aluga prioriza mobilidade, flexibilidade e menor compromisso financeiro de longo prazo, favorecendo estilos de vida mais fluidos”, explica Raphael Sylvester, diretor de estratégia da Lello Imóveis.
Mercado de locação mostra avanço dos imóveis compactos e forte alta no segmento comercial entre 2020 e 2025
As locações de apartamentos de 1 dormitório cresceram 43% entre 2020 e 2025. Em contrapartida, unidades de 2 dormitórios registraram queda de 7%, enquanto os edifícios de 3 dormitórios tiveram uma redução mais acentuada, de 30%.
Nas locações residenciais de casas, o aumento mais expressivo ocorreu nas unidades de 1 dormitório, cujo volume mais que duplicou. As casas de 2 dormitórios tiveram alta de 7%, enquanto as de 3 dormitórios registraram queda de 6% no período.
Já no segmento não residencial, as salas e conjuntos comerciais registraram crescimento de 118%. As lojas tiveram alta de 67% e os salões cresceram 22%. No geral, o mercado de locações comerciais apresentou crescimento acumulado de 34% nos últimos cinco anos, sinalizando retomada consistente pós-pandemia.
Mudanças no perfil dos compradores e locatários
O perfil dos clientes está em transformação, com Millennials e Geração Z liderando a demanda. Millennials buscam estabilidade, veem o imóvel como investimento e valorizam proximidade com serviços e infraestrutura. A Geração Z, exige processos totalmente online, autenticidade, sustentabilidade e flexibilidade. Essa geração prefere imóveis compactos e multifuncionais, além de condomínios com coworking, áreas delivery-friendly e opções como co-living e propriedade fracionada.
“O consumidor está mais atento à experiência proporcionada pelo imóvel e pelo entorno. Qualidade de vida, conveniência, integração com a cidade e praticidade no dia a dia são elementos que vêm direcionando as escolhas” pontua Sylvester.
Além disso, a tecnologia passou a ser determinante na escolha do cliente. Tours virtuais, fotos profissionais, plataformas digitais completas e assinatura eletrônica são agora requisitos básicos. A falta desses recursos pode eliminar um imóvel da lista de opções dos interessados.
Crédito mais acessível e novas preferências redesenham o mercado imobiliário
O boletim Focus do Banco Central divulgado no final do ano passado, trouxe uma expectativa de queda da Selic em 2026, que deve facilitar o crédito imobiliário e impulsionar compras, com foco em imóveis compactos, sustentáveis e bem localizados, além de maior uso de modelos flexíveis de moradia e investimento em apresentação digital para vendas.
Na capital, avançam o compact living e o conceito de “cidades de 15 minutos” – modelo urbano em que trabalho, escola, comércio, saúde e lazer ficam a até 15 minutos a pé ou de bicicleta da moradia -, no interior, cresce a procura por casas amplas e condomínios fechados; e, no litoral, a valorização é puxada por segundas residências e short stay. Ganha força também o modelo híbrido, que combina studio na capital com casa no interior ou litoral.
“O mercado vive uma mudança estrutural na forma de morar e não um ajuste temporário” , conclui Raphael.