Por Nathalia Costeira
O avanço das cidades médias começa a deslocar parte do protagonismo imobiliário antes concentrado nas capitais. Entre 2010 e 2022, o Brasil ganhou 12,3 milhões de habitantes, e cerca de dois terços desse crescimento ocorreu em municípios com população entre 100 mil e 500 mil moradores, segundo o Censo Demográfico.
No Norte do Paraná, Londrina e Maringá simbolizam esse movimento, segundo reportagem da Gazeta do Povo. As duas cidades combinam expansão econômica, valorização imobiliária, aumento da demanda habitacional e busca por qualidade de vida, consolidando uma nova leitura de onde o desenvolvimento urbano brasileiro pode ganhar força.
Londrina e Maringá têm economias robustas
Londrina ultrapassou 555 mil habitantes e alcançou PIB de R$ 27,9 bilhões em 2023, consolidando-se como a principal economia do interior paranaense. Maringá, com população estimada em 430 mil habitantes, movimentou R$ 27,8 bilhões no mesmo período e figura entre as maiores economias do Sul do país.
Para Beto Justus, CEO da Blendi Empreendimentos, cidades médias passaram a oferecer uma combinação difícil de encontrar nos grandes centros: empregos, infraestrutura urbana, mobilidade, serviços de qualidade e custo de vida mais equilibrado.
Mercado imobiliário acompanha o ciclo econômico
O dinamismo econômico tem reflexo direto no setor imobiliário. Dados da Brain Inteligência Estratégica colocam Maringá entre as cidades brasileiras com maior valorização imobiliária. Londrina, por sua vez, registrou o maior Valor Geral de Vendas de sua história, com R$ 3,3 bilhões em comercializações imobiliárias.
O movimento é reforçado pelo alto grau de urbanização do país: 87,4% dos brasileiros vivem em áreas urbanas, o que aumenta a demanda por cidades capazes de oferecer oportunidades econômicas sem os custos e gargalos típicos das metrópoles.
Primeiro imóvel e MCMV sustentam demanda
No mercado residencial, o crescimento favorece especialmente o segmento econômico e os empreendimentos voltados ao primeiro imóvel. Em Londrina, cerca de um quarto das famílias ainda vive em imóveis alugados, o que indica espaço para expansão da habitação própria.
O Minha Casa, Minha Vida também contribui para ampliar o acesso ao crédito e sustentar a procura. A Blendi, fundada em 2019, acompanha esse ciclo com atuação em Londrina, Maringá e Apucarana. A incorporadora soma mais de 3 mil apartamentos lançados e mais de R$ 500 milhões em VGV acumulado.
Interior deve ganhar mais peso na próxima década
Para Luã Brandalise, COO da Blendi, a descentralização do desenvolvimento imobiliário brasileiro tende a se intensificar. Cidades médias com economias fortes, planejamento urbano e qualidade de vida devem atrair mais moradores, empresas e investidores.
Na avaliação de especialistas do setor, a próxima década pode consolidar uma nova geografia imobiliária no país, com municípios médios assumindo papel maior na geração de riqueza, atração de talentos e expansão habitacional. Nesse mapa, Londrina e Maringá aparecem como exemplos de uma transformação já em curso.