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25/09/2026

Inclusão bancária, tecnologia e mercado de trabalho favorável contribuíram para elevar endividamento das famílias, diz BC – Valor Econômico

No Relatório de Política Monetária, Banco Central também destaca o aumento do custo do crédito ao longo do ciclo de aperto monetário e a expansão da demanda por crédito emergencial, tipicamente mais caro

O Banco Central (BC) informou, em publicação do Relatório de Política Monetária nesta quinta-feira (24), que o processo de inclusão bancária, aliado a inovações tecnológicas e a condições favoráveis no mercado de trabalho, impulsionou o acesso das famílias ao crédito e contribuiu para a elevação das dívidas e comprometimento de renda nos últimos anos.

"Mais recentemente, o aumento do custo do crédito ao longo do ciclo de aperto monetário e a expansão da demanda por crédito emergencial, tipicamente mais caro, também contribuíram para a elevação do comprometimento da renda ao nível recorde atual", disse.

Segundo o BC, o endividamento segue pressionando a condição financeira de famílias e empresas. O nível de endividamento mantém-se em patamar historicamente alto desde o final de 2021, atingindo 49,9% em janeiro, o recorde da série histórica, e marcado relativa estabilidade desde então.

O comprometimento da renda, por sua vez, aumentou nos últimos meses, alcançando 28,9% em junho, o maior valor da série. A inadimplência do crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) continua subindo e atingiu novo recorde, impulsionada, principalmente, pelos atrasos no segmento de pessoas físicas.

"Parte desse aumento decorreu das mudanças regulatórias introduzidas pela Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 4.966 em janeiro de 2025, que reclassificou a avaliação do que é considerado crédito inadimplido no sistema financeiro.

"Estima-se que a adoção dos novos critérios pelas instituições financeiras representou cerca de 40% do aumento na taxa de inadimplência da carteira de crédito apurado entre dezembro de 2024 e junho de 2026", disse.

Para a autoridade monetária, o endividamento permaneceu em patamar historicamente alto, enquanto o comprometimento de renda e a inadimplência atingiram novos recordes.

O cenário de aperto, aliado à política monetária restritiva, permitiu uma taxa de inadimplência no crédito livre a pessoas físicas de 7,8% nos dados mais recentes. A alta foi disseminada entre as modalidades de crédito e ocorreu apesar de algum impacto para baixo das renegociações realizadas no âmbito do Novo Desenrola.

"As concessões de crédito livre a pessoas físicas recuaram e, tanto nas contratações das famílias quanto nas das empresas, houve maior participação de modalidades emergenciais ou de curto prazo", disse o BC.

Por outro lado, as concessões de crédito direcionado permaneceram elevadas, sustentadas pelo financiamento imobiliário às famílias e pelos fundos garantidores para empresas. Por fim, o crescimento do saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) , que vinha diminuindo nos últimos trimestres, variou apenas marginalmente nos últimos meses, mas com continuidade da desaceleração do crédito livre.

O BC disse que o mercado de crédito continua exibindo sinais de desaceleração com a política monetária restritiva.

Projeções

O Banco Central (BC) alterou de 9% para 9,1% a sua projeção para o crescimento nominal do estoque de crédito em 2026, de acordo com o Relatório de Política Monetária. Para pessoas jurídicas, a projeção de crescimento foi alterada de 7,8% para 8,2%. Para pessoas físicas, foi de 9,8% para 9,7%. Para o crédito livre, variou de 7,8% para 7,2% e para o crédito direcionado de 10,7% para 11,7%.

De acordo com o RPM, o ritmo de expansão do saldo do crédito direcionado aumentou 0,3 p.p. entre abril e julho, com evolução acima do projetado em ambos os segmentos.

A carteira com recursos direcionados para pessoas físicas foi impulsionada pelo financiamento habitacional. Para pessoas jurídicas, as concessões recentes foram impulsionadas pelo Desenrola para Micro e Pequenas Empresas, que flexibilizou as condições de contratação de empréstimos no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Já a variação interanual do saldo do crédito com recursos livres recuou 0,4 p.p. desde abril, com evolução abaixo do projetado nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas. Para 2027, o Banco Central passou a estimar uma alta de 8,8% do saldo de crédito. O crescimento será mais expressivo, segundo as projeções, para as pessoas físicas (9,4%). O crédito às pessoas jurídicas deve subir 7,7%.

O estoque em modalidades de crédito com recursos livres deve subir 7,8% no próximo ano, segundo as estimativas. Entre o crédito direcionado, a alta esperada é de 10%.

FONTE: VALOR ECONôMICO