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11/05/2026

Imóveis de médio e alto padrão derrubam lançamentos na cidade de São Paulo no 1º trimestre - Valor Econômico

Foram lançadas 27,9 mil unidades no período, queda de 5%, e em valor dos lançamentos, recuo de 19%, para R$ 12,4 bilhões; Secovi-SP acredita que a redução deve ser compensada nos próximos meses

Por Ana Luiza Tieghi

O primeiro trimestre terminou com queda nos lançamentos imobiliários na cidade de São Paulo, apesar de um ritmo ainda crescente de novos projetos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), aponta a Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário (PMI), realizada pelo Secovi-SP (sindicato do setor da habitação).

Foram lançadas 27,9 mil unidades no período, recuo de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Em valor dos lançamentos, a queda foi maior, de 19%, para R$ 12,4 bilhões.

As vendas apresentaram comportamento diferente, tendo subido 6% em volume, com 29,3 mil unidades vendidas. A grande participação de imóveis do MCMV, mais baratos do que os de médio e alto padrão, no entanto, fez com que o valor geral de venda (VGV) no trimestre caísse mesmo assim, em 8%, para R$ 12,9 bilhões.

Porém, a situação parece estar mudando. Ao considerar apenas os dados de março, os lançamentos cresceram 18,5% na comparação anual, para 14,7 mil unidades, e as vendas subiram 2,9%, para 10,9 mil unidades.

“Incorporadores que não operam no MCMV estavam com uma preocupação muito maior, e agora o mercado está começando a voltar”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. Para ele, a redução de 5% em lançamentos deve ser compensada nos próximos meses.

Petrucci diz esperar uma recuperação similar à do mercado de financiamento imobiliário, cujo volume concedido pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) subiu 12% no primeiro trimestre.

De janeiro a março, a venda de unidades do MCMV cresceu 17% e os lançamentos subiram 5%. Já no segmento de média e alta renda, houve queda de 13% nas vendas e de 20% no volume de lançamentos.

Para Petrucci, esse cenário deve mudar em abril. “Em janeiro e fevereiro, prevaleceram lançamentos do MCMV, com 80% de participação. Em março foi 58%”, afirma, acrescentando que a percepção de abril, pelos dados já levantados até o momento pela entidade, é de continuidade dessa trajetória de ganho de participação do médio e alto padrão nos lançamentos.

Na visão dele, mesmo com uma redução de taxa de juros menor do que a esperada no começo do ano, há indicadores positivos para o consumidor, como a retomada do crédito imobiliário. “A decisão de compra ou do financiamento do imóvel é familiar, então acho que as pessoas estão se preocupando menos com a economia e vendo no seu planejamento financeiro se cabe o financiamento, e estão fazendo”, afirma.

De acordo com os dados, opções não vão faltar. A oferta de imóveis novos disponíveis para compra na cidade era 34% maior ao final de março deste ano do que no mesmo mês de 2025, com 84 mil unidades.

Contribuiu para essa maior oferta uma redução na velocidade de venda dos imóveis. O indicador de venda sobre oferta (VSO), que capta essa velocidade, recuou 3 pontos percentuais em março, para 11,4%, e 4,9 pontos no acumulado dos últimos 12 meses, para 56,9%.

Uma preocupação para o ano é o custo da construção, que pode afetar a viabilidade de lançamentos e exigir repasses nos preços, o que pode atrapalhar as vendas.

O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) avançou 1,04% em abril, após alta de 0,36% em março, e acumula aumento de 6,28% em 12 meses.

O preço do petróleo tem impacto nos materiais usados nas obras, mas, segundo Petrucci, há um incômodo com os aumentos pedidos pelos fabricantes. “Há uma preocupação que está sendo levada para o governo. Estamos achando que aumentos de 10% a 25%, propostos por alguns setores, podem estar um pouco exagerados”, diz.

FONTE: FOLHA DE SãO PAULO