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30/10/2018

Fundos perdem força para a poupança

A análise foi feita pelo diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira

Os fundos de investimento em renda fixa com taxas de administração superiores a 1% continuarão a perder competitividade para a poupança. O movimento acontece tanto em cenário de manutenção quanto de redução da taxa básica de juros (Selic).

A análise foi feita pelo diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.

A penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definição da taxa básica começará hoje.

Segundo o levantamento da Anefac, em um cenário onde a Selic seja mantida nos atuais 6,50%, o rendimento das cadernetas passa a ter patamar alterado de Taxa Referencial (TR) + 6,17% ao ano para um ganho de 70% da Selic mais a variação da TR.

Além disso, diferente dos fundos de renda fixa (RF) – que possuem tanto a tributação do imposto de renda em tabela regressiva (quanto maior o tempo de aplicação, menor a taxa) como a taxa de administração das instituições financeiras –, a poupança não tem incidência de nenhum tributo.

Assim, apenas os fundos com taxas entre 0,5% e 1% – à exceção daqueles com prazo acima de dois anos em instituições que cobrem 1,5%, cujo ganho seria de 0,38% – teriam rendimentos mensais superiores aos vistos nas cadernetas (de 0,37% ao mês).

Nesse sentido, os fundos mais vantajosos seriam os de prazo superior a dois anos em instituições com taxas de administração de 0,5%, cujo ganho seria de 0,43% a.m.

Apenas aqueles com prazo de até seis meses e taxa de 1% e prazos entre um e dois anos e taxa de 1,5% teriam rendimentos semelhantes aos das cadernetas de poupança (0,37%).

Cenário de queda - O mesmo acontece, ainda, caso o Copom, do BC, decida reduzir a taxa básica de juros.

Caso a queda seja para 6,25%, o rendimento líquido mensal das cadernetas passariam para 0,36%. Assim, o maior ganho continua em instituições que cobram 0,5% ao ano e em fundos de renda fixa com prazos superiores a dois anos, cujos rendimentos ficariam em 0,41% ao mês.

Nesse cenário, o único fundo que teria lucro semelhante ao da poupança seria o de prazos entre um e dois anos em instituições que cobrem 1,5% em taxa de administração.

Já em uma situação onde o Copom reduza a Selic para 6%, mesmo com o rendimento líquido mensal da poupança alcançando os 0,34%, os ganhos dos fundos RF continuam perdendo competitividade.

O mais vantajoso desses investimentos também seria naqueles com prazo superior a dois anos (+0,4% ao mês).

Aqui, igualmente, apenas os fundos com prazo de até seis meses e taxa de 1% e prazos entre um e dois anos e taxa de 1,5% teriam rendimentos iguais aos da poupança.

Em todas as demais situações – prazos de seis meses a mais de dois anos e em instituições que cobrem de 1,5% a 3% de taxas de administração – a caderneta de poupança continua sendo a melhor escolha.  

FONTE: DCI