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13/02/2026

FIIs batem recorde triplo na B3: 3 milhões de investidores, patrimônio de R$ 200 bi e R$ 537 milhões negociados todos os dias; veja o ranking (e-Investidor)

Números mostram amadurecimento do mercado e maior diversidade de estratégias; IFIX acumula alta de 27,8% em 12 meses.

Por Igor Markevich

 

O último mês de janeiro entrou para a história dos fundos de investimento imobiliário (FII) na B3. Pela primeira vez, o segmento atingiu uma tripla marca, inédita no mesmo mês: mais de 3 milhões de investidores, R$ 200 bilhões em patrimônio e volume médio diário negociado de R$ 537 milhões. Para além da novidade de três recordes simultâneos, o acontecimento mostra a fotografia de um mercado que ganhou densidade na carteira dos investidores.

A base de cotistas chegou a 3,033 milhões em janeiro, ante 2,785 milhões um ano antes. O crescimento amplia o peso da pessoa física no mercado de fundos imobiliários, hoje responsável por 72,9% do patrimônio alocado em FIIs. Investidores institucionais concentram 21,6%, enquanto não residentes respondem por 4,2%.

No mesmo compasso, o patrimônio financeiro alcançou R$ 200 bilhões, impulsionado tanto pela valorização das cotas quanto por novos aportes. A negociação acompanhou o movimento. O ADTV — sigla em inglês para volume financeiro médio diário negociado — somou R$ 537 milhões em janeiro. No acumulado do mês, foram R$ 11,3 bilhões movimentados no mercado à vista, distribuídos em cerca de 15 milhões de negócios. Liquidez, aqui, significa profundidade de mercado e menor fricção para entrar e sair das posições.

Em nota, Bianca Maria, gerente de Produtos de Cash Equities da B3, afirmou que “os dados reforçam a consolidação dos FIIs como instrumento de acesso ao mercado imobiliário por meio da Bolsa de Valores, ampliando as alternativas de diversificação para os investidores”.

O desempenho dos preços acompanhou a expansão estrutural. O IFIX, principal índice do segmento, avançou 2,3% em janeiro e acumula alta de 27,8% em 12 meses, refletindo a recomposição do valor das cotas e a retomada gradual do apetite por risco. Em 2025, o índice subiu 21,33%, a maior valorização desde 2019, em um ambiente de liquidez média diária de R$ 316 milhões, sinal de consolidação do segmento nas carteiras.

A atenção aos FIIs está ancorada no ciclo monetário. Com a Selic em 15% ao ano, a perspectiva de cortes em 2026 redefiniu a relação risco-retorno da classe. À medida que a renda fixa perde predominância relativa, os FIIs voltam a se destacar pela combinação entre distribuição recorrente e potencial de valorização das cotas.

 

Fundos com os maiores volumes negociados de janeiro

  • CPOF11 (Capitânia Office): R$ 41,2 milhões de ADTV (7,7% do total)
  • TRXF11 (TRX Real Estate): R$ 22,3 milhões de ADTV (4,2%)
  • KNCR11 (Kinea Rendimentos): R$ 19,3 milhões de ADTV (3,6%)
  • MXRF11 (Maxi Renda): R$ 19,2 milhões de ADTV (3,6%)
  • BTLG11 (BTG Pactual Logística): R$ 18,9 milhões de ADTV (3,5%)
  • GSF111 (General Shop e Outlets): R$ 17,0 milhões de ADTV (3,2%)
  • CPLG11 (Capitânia Logística): R$ 16,5 milhões de ADTV (3,1%)
  • GARE11 (Guardian Real Estate): R$ 16,5 milhões de ADTV (3,1%)
  • XPML11 (XP Malls): R$ 15,3 milhões de ADTV (2,9%)
  • HGLG11 (Patria Log): R$ 14,4 milhões de ADTV (2,7%)

 

Na divisão do volume financeiro negociado, investidores institucionais responderam por 39,7%, pessoas físicas por 39,0% e estrangeiros por 17,8%, um equilíbrio que sugere amadurecimento e maior diversidade de estratégias em jogo.

Com 434 fundos listados ao fim de janeiro, 5 a mais que no mês anterior, 2026 ostenta não apenas crescimento, mas robustez operacional. Os números indicam que os FIIs vêm deixando o espaço de complemento ocasional. Passaram a compor o núcleo das decisões de investimento de uma parcela cada vez maior do mercado.

 

FONTE: E-INVESTIDOR