Por Igor Markevich
O último mês de janeiro entrou para a história dos fundos de investimento imobiliário (FII) na B3. Pela primeira vez, o segmento atingiu uma tripla marca, inédita no mesmo mês: mais de 3 milhões de investidores, R$ 200 bilhões em patrimônio e volume médio diário negociado de R$ 537 milhões. Para além da novidade de três recordes simultâneos, o acontecimento mostra a fotografia de um mercado que ganhou densidade na carteira dos investidores.
A base de cotistas chegou a 3,033 milhões em janeiro, ante 2,785 milhões um ano antes. O crescimento amplia o peso da pessoa física no mercado de fundos imobiliários, hoje responsável por 72,9% do patrimônio alocado em FIIs. Investidores institucionais concentram 21,6%, enquanto não residentes respondem por 4,2%.
No mesmo compasso, o patrimônio financeiro alcançou R$ 200 bilhões, impulsionado tanto pela valorização das cotas quanto por novos aportes. A negociação acompanhou o movimento. O ADTV — sigla em inglês para volume financeiro médio diário negociado — somou R$ 537 milhões em janeiro. No acumulado do mês, foram R$ 11,3 bilhões movimentados no mercado à vista, distribuídos em cerca de 15 milhões de negócios. Liquidez, aqui, significa profundidade de mercado e menor fricção para entrar e sair das posições.
Em nota, Bianca Maria, gerente de Produtos de Cash Equities da B3, afirmou que “os dados reforçam a consolidação dos FIIs como instrumento de acesso ao mercado imobiliário por meio da Bolsa de Valores, ampliando as alternativas de diversificação para os investidores”.
O desempenho dos preços acompanhou a expansão estrutural. O IFIX, principal índice do segmento, avançou 2,3% em janeiro e acumula alta de 27,8% em 12 meses, refletindo a recomposição do valor das cotas e a retomada gradual do apetite por risco. Em 2025, o índice subiu 21,33%, a maior valorização desde 2019, em um ambiente de liquidez média diária de R$ 316 milhões, sinal de consolidação do segmento nas carteiras.
A atenção aos FIIs está ancorada no ciclo monetário. Com a Selic em 15% ao ano, a perspectiva de cortes em 2026 redefiniu a relação risco-retorno da classe. À medida que a renda fixa perde predominância relativa, os FIIs voltam a se destacar pela combinação entre distribuição recorrente e potencial de valorização das cotas.
Fundos com os maiores volumes negociados de janeiro
Na divisão do volume financeiro negociado, investidores institucionais responderam por 39,7%, pessoas físicas por 39,0% e estrangeiros por 17,8%, um equilíbrio que sugere amadurecimento e maior diversidade de estratégias em jogo.
Com 434 fundos listados ao fim de janeiro, 5 a mais que no mês anterior, 2026 ostenta não apenas crescimento, mas robustez operacional. Os números indicam que os FIIs vêm deixando o espaço de complemento ocasional. Passaram a compor o núcleo das decisões de investimento de uma parcela cada vez maior do mercado.