Por André Ítalo Rocha
Segundo dados da Newmark, a Faria Lima foi a única entre as principais áreas corporativas da cidade que começou 2026 com absorção líquida negativa.
No primeiro tri, o volume de devoluções de escritórios superou as novas locações em 5 mil metros quadrados.
Trata-se do segundo tri consecutivo com absorção líquida negativa. No quarto tri do ano passado, a perda foi de 3,2 mil m².
Além de a avenida praticamente não ter mais oferta disponível para realizar novas locações de grande porte, os preços estão assustando as empresas que chegam a sondar os proprietários.
Na Faria Lima, a média do preço pedido no primeiro tri ficou em R$ 311/m² nos prédios de alto padrão, mais de duas vezes a média de São Paulo, de R$ 121/m², segundo levantamento da Newmark.
Já no restante da cidade, as áreas que mais estão conseguindo se contrapor à estagnação da Faria Lima são Pinheiros e a Av. Chucri Zaidan.
Nos 12 meses encerrados no primeiro tri, Pinheiros e Chucri tiveram as duas maiores absorções líquidas de São Paulo em prédios de alto padrão, com 80,2 mil m² e 50,7 mil m², respectivamente, enquanto a Faria Lima ficou negativa em 8,4 mil m².
Na Crucri, no entanto, os preços e a taxa de vacância ainda estão devendo, em razão do elevado estoque construído nos últimos anos.
A avenida tem o maior estoque pronto de prédios de alto padrão da cidade, com quase 900 mil m², e por isso ainda tem uma das maiores taxas de vacância do mercado paulistano, de 14,3%, bem acima de Pinheiros (8,5%), Faria Lima (6,8%) e Av. Paulista (2,8%).
Também por isso, o preço na Chucri ainda não decolou. A média do primeiro tri ficou em R$ 109/m², abaixo da média da cidade e atrás de outras regiões também menos nobres que a Faria Lima, como a Vila Olímpia (R$ 152/m²), a Paulista (R$ 137/m²) e Pinheiros (R$ 162/m²).
No primeiro tri, o mercado da cidade como um todo continuou reduzindo a vacância, agora de 15,9% para 14,7%, enquanto a absorção líquida ficou positiva em 94 mil m², uma leve alta em relação ao que foi registrado no primeiro tri do ano passado.
Para o restante de 2026, a Newmark espera que o mercado de escritórios siga em expansão, mas em ritmo mais moderado do que no segundo semestre do ano passado, dado que o volume de entrega de novo estoque está menor, em razão do custo de capital ainda elevado, e também “devido a um ambiente marcado por maior volatilidade macroeconômica e incertezas no cenário político.”
“Ainda assim, o mercado tende a preservar fundamentos equilibrados, com níveis saudáveis de absorção, disponibilidade controlada e valores de locação sustentados, reforçando a atratividade dos escritórios prime como base para decisões estratégicas de ocupação e investimento corporativo,” disse a consultoria em relatório.