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13/02/2026

Do status ao bem estar: a casa ideal dos americanos mudou em 20 anos (Forbes)

Estudo da Zillow mostra como eficiência, privacidade e sustentabilidade substituíram a lógica das casas gigantes no mercado imobiliário dos EUA.

Por Clayton Freitas

 

A Zillow, uma das principais plataformas imobiliárias dos Estados Unidos, divulgou um estudo indicando que o “lar ideal” dos americanos mudou nos últimos 20 anos. As antigas McMansions, casas gigantescas, beges e projetadas primordialmente para ostentar status social e que dominavam o mercado em 2006, deram lugar a um modelo que prioriza bem-estar, funcionalidade e conexão pessoal, além de uma metragem menor.

Toda vez que um corretor preenche a descrição de um anúncio, ele precisa incluir as características que costumam ser as mais desejáveis para um comprador.

“Lembre-se: não se pode anunciar o que não existe. Portanto, as mudanças na frequência de palavras-chave nos anúncios refletem não apenas o que os compradores desejam, mas também quais características os proprietários estão de fato instalando com mais frequência”, afirma Amanda Pendleton, especialista em tendências de moradia da Zillow, em entrevista à Forbes Brasil.

Segundo os dados do estudo da Zillow, a ideia de “quanto maior, melhor”, ficou no passado. E, neste grande espaço, cabia um caldeirão de elementos de influência toscana, mediterrânea e do renascimento colonial em uma área construída “desproporcionalmente grande”.

“As casas apresentavam imponentes halls de entrada de dois andares, portas em arco, colunas decorativas e telhados complexos projetados para projetar prosperidade a partir da rua. Os anúncios destacavam salas de estar e salas de jantar formais, espaços reservados para ocasiões especiais em vez de uso diário. Os home theaters eram vistos como símbolos de status: quanto maior a tela, melhor”, diz um trecho da análise.

Hoje, os compradores estão muito menos interessados em impressionar os convidados e mais focados em como a casa é útil para as suas necessidades. Desde 2018, os tamanhos dos lotes diminuíram de forma significativa. Uma das curiosidades é que as menções a cantinhos de leitura aumentaram 48% nos anúncios, um indicativo de que os moradores querem espaços mais reservados, mesmo que menores.

O estudo indica que essa transformação é diretamente influenciada pelas pressões econômicas de acessibilidade, que levam os compradores a buscarem imóveis que trabalhem mais, ou seja, que sejam mais eficientes e custem menos com manutenção, aquecimento e seguro. “O aumento dos custos obrigou os compradores a serem mais criteriosos, o que acelerou uma redefinição mais ampla do conforto”, diz Amanda.

As cores também mudaram. O bege “Sand Dollar”, um tom neutro, suave e claro, onipresente de 2006, foi trocado por cores saturadas, enquanto itens de lazer como quadras de pickleball, simuladores de golfe e spas residenciais ganharam destaque.

Outro aspecto que mudou foi a eficiência energética. Em 2006, ela era uma preocupação secundária. Atualmente, anúncios de residências que mencionam consumo energético zero aumentaram 70%. Os que mencionam baterias para toda a casa subiram 40%, e as estações de carregamento para veículos elétricos, 25%.

 

FONTE: FORBES