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14/05/2026

Do alto padrão ao Minha Casa Minha Vida: o que explica o ciclo virtuoso do setor imobiliário na bolsa – Forbes

A despeito de uma Selic ainda restritiva e de uma inflação ascendente na construção civil, empresas seguem com margens saudáveis e um bottom line robusto nos resultados mais recentes

Por Eduardo Vargas

Nos últimos, meses algumas companhias do setor imobiliário reportaram resultados recordes, independentemente da categoria. Sejam elas rotuladas como incorporadoras ou empresas de properties, os números polpudos no bottom line dos resultados animaram o mercado, com respostas positivas nos pregões e revisões para cima do sell-side. A visão do mercado é que há espaço para alta e os múltiplos estão relativamente descontados em boa parte dos casos - endossando a tese de um ciclo virtuoso para as empresas do segmento na bolsa.

Na prática, o setor imobiliário da bolsa de valores tem mostrado recuperação operacional, repasse de preços, melhora de margem e demanda resiliente.

Além disso, os resultados também mostram indicadores de margem e rentabilidade relativamente bons, aumentando a percepção de que o setor é resiliente e consegue se sair bem em meio à dinâmica de custos mais altos - um fator que o mercado segue acompanhando de perto, especialmente após uma leitura do IPCA que mostrou a maior alta substancial para o grupo de construção civil.

Como exemplo, a Cury reportou um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido, na sigla em inglês) de 79,5% no 1T26, ampliando o indicador em 12 pontos percentuais (p.p.) na base anual. A construtora também superou as projeções do consenso Bloomberg para todas as suas linhas finais do balanço, com lucro e receita recordes, de R$ 303 milhões e R$ 1,6 bilhão, respectivamente.

No caso da JHSF, o resultado fechado de 2025 foi o maior da sua história, com o Ebitda saltando 145%, para R$ 1,8 bilhão. O lucro líquido também mais do que dobrou, crescendo 117% em 2025 ante o ano anterior, para R$ 1,9 bilhão. De janeiro a março deste ano, a companhia anotou um Ebitda ajustado de R$ 250,6 milhões, representando crescimento de 26% na base anual, e lucro líquido que cresceu 9%, para R$ 371 milhões. O resultado veio na esteira de um reconhecimento contábil da venda do estoque de incorporação - dada a venda de R$ 5,2 bilhões para um FII estruturado pela própria JHSF Capital- e aceleração da renda recorrente.

O trimestre mostrou ainda que a divisão financeira da empresa dobrou sua receita e encerrou o 1T26 com R$ 11,2 bilhões em ativos sob gestão.

A XP, que possui recomendação de compra para as ações da JHSF, reiterou recomendação de compra e destacou ‘EBITDA forte impulsionado por shoppings e real estate’.

“Empresa apresentou resultados sólidos no 1T26, com crescimento da receita para R$ 517 milhões, impulsionado pelo desempenho robusto dos shoppings e do segmento imobiliário.

O EBITDA ajustado atingiu R$ 251 milhões, sustentado pelo crescimento do topo da DRE”, disse a casa, em relatório sobre o balanço.

O otimismo com o setor imobiliário, vale destacar, não possui restrições geográficas.

A Moura Dubeux, que opera no Nordeste - especialmente na região de Recife (PE) - teve um lucro líquido de R$ 155 milhões de janeiro a março de 2026. Essa cifra representa alta de 120% na base anual.

A visão do Itaú BBA é de um ‘resultado forte’, com desempenho operacional impulsionado principalmente por receitas com taxas de terrenos em projetos do segmento de condomínios e despesas administrativas menores do que o esperado. O ROE anualizado ficou em 32,5%, considerado robusto pela casa.

“Reiteramos a Moura Dubeux como nossa preferida entre as construtoras de média e alta renda. A tese de investimento é sustentada por uma forte perspectiva de lançamentos e vendas”, disse o BBA, que ainda considerou que a “dinâmica de mercado no Nordeste parece mais saudável”.

Baixa renda e MCMV despertam otimismo

Apesar de JHSF e Moura Dubeux serem nitidamente companhias voltadas para o alto padrão, os resultados acima da média e os reflexos positivos também são vistos em companhias de baixa renda do setor imobiliário, como as que operam o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

“Tivemos destaques positivos no 1T26, inclusive no segmento de baixa renda. A Direcional por exemplo, que vem com uma margem bruta bastante forte”, diz Ygor Altero, Head de Real Estate da XP, em entrevista à Forbes.

A Direcional Engenharia apresentou resultados considerados sólidos pelo sell side, com lucro e geração de caixa acima das expectativas. As margens ficaram praticamente estáveis trimestre contra trimestre, mesmo em meio às preocupações com inflação de custos de construção.

A receita líquida atingiu R$ 1,165 bilhão, alta de 30% na comparação anual, ao passo que o lucro líquido somou R$ 213 milhões, crescendo 30% ano contra ano. O ROE anualizado alcançou 39% no trimestre. O Itaú BBA reiterou recomendação de compra (Outperform, nos rótulos da casa) e manteve a empresa como sua principal escolha (Top Pick) no setor imobiliário.

O preço-alvo estipulado para os próximos 12 meses foi de R$ 16,50, o que representava potencial de valorização de 27,6% frente ao fechamento anterior ao relatório.

“A visão positiva é sustentada pela execução sólida e, mais importante, pela menor sensibilidade da companhia aos choques do INCC em relação aos pares (…) As recentes mudanças positivas no programa Minha Casa Minha Vida devem sustentar o poder de precificação e ajudar a companhia a preservar margens”, disse a casa.

Nesse sentido, Caio Borges, analista da Eleven Financial, aponta que as ‘camadas do meio’ do setor imobiliário tendem a sofrer um pouco mais no momento atual, eventualmente com pressão de margem bruta, ao passo que empresas de alta renda ou voltadas para MCMV (que seriam as duas pontas) operam com mais resiliência, embora por motivos diferentes.

 

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FONTE: FORBES