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02/01/2026

Crédito para transformar a habitação – O Globo

Programas habitacionais historicamente demonstram que o investimento público gera efeito multiplicador

A moradia digna é um direito inscrito na Constituição, mas o Brasil ainda enfrenta o desafio de reverter um déficit habitacional estimado em 5,9 milhões de unidades e atender brasileiros que vivem em condições precárias ou sem acesso à casa própria. Esse cenário reflete a persistente desigualdade social e a necessidade de transformar políticas de habitação em ações de Estado, com planejamento de longo prazo, orçamento definido e metas claras.

Responsável pela oferta de moradia e infraestrutura, o setor da construção tem papel estratégico. É um dos maiores empregadores do país, com mais de 3 milhões de trabalhadores formais, e um segmento que reage rapidamente a estímulos governamentais.

Investir em habitação não só reduz o déficit, como amplia a inclusão social e movimenta uma cadeia produtiva que envolve 96 setores da economia. Programas habitacionais historicamente demonstram que o investimento público gera efeito multiplicador, impulsionando riqueza nas cidades e melhorando a qualidade de vida da população.

O novo modelo de financiamento habitacional anunciado pelo governo federal é ambicioso e pode redefinir os rumos do setor. Liberar gradualmente mais recursos do FGTS e de depósitos em poupança parados no Banco Central para operações de crédito imobiliário significa injetar capital no mercado, ampliando a oferta e facilitando a aquisição da casa própria para quem ainda está distante desse objetivo.

A efetividade do modelo dependerá de execução técnica, articulação federativa e estabilidade regulatória. Representante nacional da indústria da construção, a CBIC manteve diálogo técnico de alto nível com órgãos do governo, oferecendo dados e argumentos para que a política habitacional reflita as necessidades da população e a capacidade operacional das empresas.

Como defendemos durante o debate, a implantação gradual é um acerto. Mudanças exigem sinalizações claras de prazos, critérios e regras para orientar investimentos, planejar empreendimentos e reduzir riscos. Espera-se também que os bancos ampliem a oferta de financiamento com juros menores, já que ganhos em operações mais rentáveis poderão ser usados para reduzir taxas do crédito imobiliário, beneficiando também a classe média.

Somadas às restrições ao saque-aniversário do FGTS anunciadas recentemente, as mudanças criam um ambiente mais favorável ao mercado imobiliário, trazendo recursos, previsibilidade e segurança às empresas e aproximando a casa própria de quem ainda precisa - e sonha - com moradia digna.

A CBIC se coloca como parceira estratégica do governo e da sociedade, contribuindo com conhecimento técnico, experiência de mercado e compromisso com o desenvolvimento do país. Um setor da construção fortalecido gera empregos, movimenta recursos e ajuda a colocar o Brasil em movimento. Estamos prontos para construir mais do que casas. Queremos construir oportunidades, dignidade e um futuro melhor para os brasileiros.

FONTE: O GLOBO