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01/10/2026

Crédito imobiliário pela poupança avança 37,5% de janeiro a agosto, confirmando tendência de alta em contratações em 2026 (O Globo)

Liberação de depósitos compulsórios no Banco Central impulsiona crescimento de operações no SBPE.

Por Glauce Cavalcanti

 

O crédito imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou um volume de R$ 16,97 bilhões em agosto, uma expansão de 46,6% na comparação com igual mês de 2025, confirmando a tendência de crescimento dessas operações neste ano, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Nos oito primeiros meses de 2026, o total subiu a R$ 132,5 bilhões, alta de 37,5% ante janeiro a agosto do ano passado. Nesse período, 384,6 mil imóveis, entre comprados e reformados, foram financiados, ou 35,9% mais que de janeiro a agosto do ano passado.

- Agosto, como em abril, maio e junho, ficou num patamar de R$ 17 bilhões em crédito. A média mensal, de janeiro a agosto, é de R$ 16,6 bilhões, confirmando nossas estimativas de crescimento — diz Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip. — No início do mês passado, nossa previsão de aumento (no crédito via SBPE) foi revisada para 18%.

Anteriormente, a expectativa da entidade era de um crescimento de 15% nos financiamentos imobiliários concedidos com recursos do SBPE, na comparação com 2025. Com a revisão, essa estimativa passou a 18%, devendo alcançar perto de R$ 185 bilhões neste ano.

Tombo no crédito livre

Os avanços ocorrem apesar de a taxa básica de juros seguir em patamar elevado, mesmo com as reduções aplicadas à Selic em 2026, com recuo de 15% para 13,75% ao ano entre março e este mês de setembro.

Na comparação com julho, o volume de crédito via SBPE recuou 19%, variação vista como resultado de um movimento sazonal ou específico de concentração de volume de empreendimentos de maior porte.

As operações de crédito imobiliário com recursos livres, em paralelo, registram um tombo. Em agosto, esses financiamentos totalizaram R$ 1,31 bilhão, uma queda de 63,3% ante igual mês de 2025. De janeiro a agosto, o total foi de R$ 11,5 bilhões, recuo de 33,9% na comparação com igual período do ano passado.  

Para Pontual, as razões para o salto registrado nos financiamentos do SBPE não são “muito claras”, mas há hipóteses à mesa:

— Uma parte pode ter a ver com a liberação do (depósito) compulsório (de recursos da poupança), dentro do novo modelo de crédito habitacional, isso ajudou no primeiro semestre. E há atividade razoável no mercado secundário: 70% do crédito são para aquisição de imóveis usados — destaca ele. — Já houve R$ 38 bilhões em compulsório liberado.

Novo modelo

No fim do ano passado, o governo federal anunciou um novo modelo de crédito habitacional, incluindo a liberação do depósito compulsório no Banco Central equivalente a 20% dos recursos da poupança em um prazo de dez anos. A transição teve início neste ano, liberando uma fatia de 5%. A partir de 2027, ela será gradativamente ampliada.

Essa mudança incluiu outras medidas como a fixação de um teto de juros cobrados nos financiamentos em 12% ao ano, mais a taxa referencial, para operações dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Além da elevação do limite de preço do imóvel de R$ 1,5 para R$ 2,25 milhões, por exemplo. 

— O crédito com recurso livre passou a ter um custo mais caro. Deixou de ser atrativo direcionar recursos para ele. No SBPE, confrontando os dados de um ano contra o outro, há um movimento de alta expressiva em financiamento, confirmando a expectativa da Abecip em contratações — observa Ana Maria Castelo, da FGV. — A gente vê um novo patamar, com expansão em 2026, mas ainda sem garantia sobre como vai ficar em 2027.

Também o executivo da Abecip avalia que será preciso esperar qual vai ser a política econômica do vencedor das eleições deste mês:

— Deve vir, independentemente de quem ganhe, algum anúncio para cuidar melhor do fiscal e tentar baixar a taxa de juros. E há ainda fatores do cenário externo impactando petróleo e outras commodities, mexendo em custos e outras condições internas.

FONTE: O GLOBO